Rapidinhas

Quando foram apresentadas as candidaturas do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos e do Brasil à da Copa do Mundo, autoridades políticas e esportivas afirmaram – e, nos anos seguintes, continuaram repetindo – que os equipamentos esportivos seriam construídos com dinheiro privado. Houve cientistas e jornalistas que, eufóricos, saíram reproduzindo estas afirmações, como parte da argumentação para defender a organização e realização dos megaeventos esportivos tal qual ocorreu e está ocorrendo.

Pois bem, no que diz respeito ao uso de dinheiro dos governos estaduais para as obras dos estádios para a Copa, esta matéria da Agência Pública, de autoria de Bruno Fonseca, Ciro Barros, Giulia Afiune e Jessica Mota é definitiva (a começar pelo título!): “Tem dinheiro público, sim, senhor“.

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Dando sequência à enxurrada de medidas econômicas neoliberais das últimas semanas, Dilma Rousseff vetou a correção de 6,5% na tabela do imposto de renda. O que isso quer dizer?

Com o veto, Dilma prejudica uma parcela de trabalhadores que, com baixa remuneração, continua obrigada a pagar o Imposto de Renda. Estudo do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional) indica que, com o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2014 em 6,41%, a defasagem da tabela acumulada desde 1996 chega a 64,28%. 

Com o índice oficial de inflação e os reajustes salariais que ultrapassam os 8% muitos contribuintes passaram a descontar IR ou mudaram de faixa de alíquota, pagando mais impostos.“A não correção da tabela de Imposto de Renda é uma das maiores injustiças tributárias que temos hoje no país. Atualmente, o limite de isenção é de R$ 1.787,00. Se aplicássemos a defasagem de 64%, a isenção saltaria para R$ 2. 935,00”, explicou o presidente do Sindifisco Nacional, Cláudio Damasceno.

Esta defasagem na atualização da tabela – para não falar de uma discussão que não é feita sobre o que, de fato, seria um imposto que taxasse a renda no Brasil – é um dos muitos problemas da nossa bizarra estrutura tributária, em que os que menos ganham são os que, proporcionalmente, mais pagam impostos.

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