Rapidinhas

Pingou na caixa postal excelente artigo de Luis Felipe Miguel, professor da Universidade de Brasília: “Qual é a do SciELO?“. Em linhas gerais, a do SciELO é submeter-se voluntariamente à casa grande, embora sua sede, financiamento, mão-de-obra e ideólogos estejam na senzala.

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Ao ler um texto como este, dá um orgulho danado ter votado no deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ).

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Situações que dariam vontade de pedir para parar o mundo pra gente descer acontecem todos os dias, em todos os lugares. Na grande maioria das vezes, não são notícia, a gente não fica sabendo ou fica, mas não se importa. Porém, dão uma sensação particularmente ruim quando ocorrem com conhecidos, ou com uma pessoa próxima de alguém que a gente conhece. Por exemplo, discriminação baseada em aparência e em pressuposições sobre orientação sexual.

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Também na caixa postal, excelente texto sobre a situação atual na Palestina. Trechos:

Os palestinos estão sempre sujeitos à violência da ocupação, diária e arbitrária, enquanto os israelenses, antes de mais nada, gozam de calma e prosperidade. O “conflito israelense-palestino”, na maior parte do tempo, existe apenas e unicamente para um dos lados.

Os palestinos são prisioneiros em sua própria terra. Não podem movimentar-se livremente, não podem entrar e sair de seu país. Receber visitantes depende da boa vontade do regime militar israelense. O mesmo vale para manter as estradas abertas e para construir novos bairros e mesmo casas individuais. Dependem inteiramente da boa vontade de Israel para se protegerem contra ataques de judeus, e o Exército israelense nunca considerou proteger a população palestina como parte de sua missão de controlar os territórios palestinos. Eles são julgados em tribunais militares israelenses, podem ser presos sem acusação formal ou julgamento e assim por diante. E, obviamente, não têm direitos políticos como o voto ou a representação política.

Contudo, este é o melhor e definitivo parágrafo, que devo reproduzir outras vezes neste blogue:

Devemos lembrar-nos sempre de que a ocupação é a infraestrutura terrorista máxima. É preciso estar cego para pensar que a extrema desigualdade e mais de meio século de opressão poderiam ter algum outro resultado. Tampouco devemos iludir-nos quanto ao contrário: acabar com a ocupação pode não trazer a paz, certamente não a curto prazo, mas continuar com ela conduzirá definitivamente a uma guerra civil, da qual temos tido um pequeno exemplo nas últimas semanas. É verdade que não chega nem perto da Síria ou da Iugoslávia. Mas mesmo a Síria e a Iugoslávia começaram de mansinho. A situação em Israel ‒ duas populações misturadas com posições distintas, um lado tendo todo o poder e direitos e o outro, só migalhas ‒ é o problema fundamental.

Pra encerrar (e para reflexão dos que acham que é – apenas – no Brasil que carecemos de lideranças políticas capazes de conduzir às mudanças que tornem melhor a vida da maioria da população):

E mesmo assim não há como justificar o sentimento de desânimo e vitimização que satura as ruas de Israel. A nossa situação atual não é uma “tragédia”, mas uma realidade em cuja direção a liderança política de Israel, com o respaldo da vasta maioria dos eleitores judeus, marchou diretamente, de olhos bem abertos.

As cartas ainda estão nas mãos de Israel, e são poderosas. Israel pode iniciar novas conversações de paz com alguns gestos simples. Pode até decidir com quem: o Fatah ou um governo de unidade palestino. Pode organizar uma coalizão internacional para apoiá-las ‒ dos estados árabes à Turquia, Rússia, EUA e União Europeia. O nosso é um dos poucos temas no mundo pelos quais todos esses estados dariam alegremente sua cooperação. Israel poderia encerrar unilateralmente o regime militar na Margem Ocidental. Em resumo, Israel tem uma gama de ferramentas à sua disposição que, a médio e longo prazo, poderia alterar fundamentalmente as relações entre judeus e árabes nesta terra. Mas fazê-lo tem um preço: encerrar a construção de assentamentos, soltar prisioneiros, e todos os demais passos que não só a liderança política, mas também a maioria do público judeu, rejeita de cara neste momento.

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