Rapidinhas

As medidas neoliberais tomadas pelo governo Dilma Rousseff (PT) jogaram a economia brasileira no buraco em 2015. Ao contrário de assumir os erros e mudar o rumo, em 2016 vêm aí… novas medidas neoliberais, como o aumento da taxa básica de juros, arrotado aos quatro ventos pelo jornalismo econômico esotérico das corporações de mídia nos últimos dias. Em vez de ouvir as runas, as cartas do tarô, os búzios, os astros ou a borra de café, ouvem uma entidade fantasmagórica e pró-bilionários chamada o mercado.

As novas medidas neoliberais, se levadas a cabo, resultarão num buraco ainda maior. Como afirmei em texto de 13 de novembro de 2015, a inflação “é um espantalho discursivo apresentado para justificar medidas econômicas que concentram renda, aumentam a subordinação e submissão do país no cenário internacional, pioram as condições de vida de nossa população, fragilizam a maior parte das empresas nacionais – exceto os bancos, o agronegócio e as empreiteiras (a tríade que, como afirma o professor Reinaldo Gonçalves, é a grande favorecida, no plano interno, com a política econômica neoliberal das últimas décadas) – e drena, para o exterior e para o mercado financeiro, preciosos recursos necessários para garantir serviços públicos de qualidade e uma vida decente para nossa população.” Segundo Luis Nassif, jornalista econômico que é exceção à regra criticada por mim no texto, “a melhor amiga do Banco Central é a inflação“. O espantalho segue firme e forte.

Segue firme e forte, também, o amplo apoio ao governo Dilma Roussef entre setores (anterior e supostamente) críticos e de esquerda: intelectuais, sindicatos, partidos, movimentos sociais, veículos de comunicação e jornalistas. Afinal, se é para sermos governados por uma política econômica neoliberal e antitrabalhador, ao menos que seja aplicada por um governo nosso. Qualquer semelhança entre as políticas econômicas do Palácio do Planalto e o bipartidarismo de direita que vigora há décadas em boa parte da Europa Ocidental, assim como nos EUA, não é mera coincidência. No futuro, haverá quem classifique este fenômeno como amadurecimento da nossa democracia.

Setores hidrófobos da direita antipetista – jornalismo das corporações de mídia na linha de frente – hão de discordar, evidentemente. O governo do PT joga seu jogo na política econômica, mas, para estes setores, não importa: não se trata de discutir as regras, o andamento, a cadência ou as táticas do jogo: a única saída é furar a bola.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: