Ainda sobre a Pátria Educadora (2)

Uma ótima crítica da falta de políticas públicas para tecnologia nas universidades: “Universidade sem tecnologia?“, de Rafael Evangelista, professor da Unicamp. (via Luis Nassif Online)

É bom lembrar: a falta de política pública para uma determinada questão é uma política pública.

A Unirio é um exemplo: as dificuldades de prover um serviço email que funcionasse foram “resolvidas” há dois ou três anos jogando para dentro do Google os endereços @unirio.br. Não fiquei sabendo de qualquer crítica ou ponderação a respeito, o que diz muito sobre a desatenção e desconhecimento em relação ao assunto por boa parte dos professores.

Mas, considerando que, em 2016, boa parte das universidades (incluindo a Unirio):

a) desconsidera a leitura e escrita de emails entre as atividades que ocupam horas de trabalho dos docentes;

b) continua selecionando professores por intermédio de uma etapa (entre outras) em que os conhecimentos são aferidos através de uma prova feita a caneta em folhas de papel almaço, ignorando a existência de computadores e a probabilidade de que tais exames (e os idênticos métodos de seleção de mestrado e, às vezes, doutorado) são a única ocasião em que as pessoas escrevem textos longos sem usar computador. Na verdade, tal método de avaliação é anterior à máquina de escrever.

Considerando estes dois itens, e o que é apontado no texto, é compreensível – e também triste e injustificável – que as universidades rifem a capacidade de desenvolver certas tecnologias. Na verdade, em instituições como a Unirio, é possível afirmar que se desistiu não apenas de desenvolver, mas de usar certas tecnologias: o prédio em que trabalho não tem laboratório de informática. Há seis anos e meio na instituição, ainda não fui agraciado sequer com uma mesa – algo mais simples que computador, software ou sistema de informação – para poder trabalhar. Eu e dezenas de professores que conheço.

É sempre bom lembrar que, de acordo com muita gente por aí (e de muita gente nas universidades federais), temos um governo de esquerda (ou de centro-esquerda) no país há 13 anos. E, desde o início do ano passado, estamos na Pátria Educadora.

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