Rapidinhas

O processo de impeachment e o desmoronamento do segundo mandato da Coração Valente evidenciam uma série de graves problemas de várias instituições estatais brasileiras, usadas para fins privados. Mostram também – o que tampouco é novidade – o desapego da direita brasileira em relação à democracia, e o desespero de se livrar do Partido dos Trabalhadores e de tudo que esteja associado à esquerda (mesmo que equivocadamente – como, a meu ver, é associarem à esquerda as administrações do PT no governo federal). Alguma novidade, talvez, esteja no grau do ódio de classe de partidos, pessoas e instituições.

Este período tem evidenciado muitos dos erros continuados dos governos Lula e Dilma. Alguns destes erros são fruto de políticas e decisões reafirmadas a cada ano – já passam de 13. Na área de comunicação, por exemplo, há dezenas de problemas – e quase nenhum avanço ou boa notícia – a citar. Um deles, não ter investido em disponibilizar a programação da Telesur no Brasil. Trata-se de um bom canal financiado por um conjunto de países, para o qual o Brasil – corretamente – contribui. Contudo, os governos Lula e Dilma não deram à população brasileira, que paga a contribuição, a possibilidade de assistir ao canal. Talvez seja porque tal programação em muitos aspectos difere e/ou contraria aquela veiculada pelas corporações de mídia brasileiras, que têm papel decisivo na derrubada do governo e na agressão à democracia. Agora, a Telesur é justamente a emissora interessada em ouvir argumentos da Coração Valente. Pena que, por decisão política de seu governo, a população brasileira não verá a entrevista.

Outro conjunto de erros está nas nomeações que ambos os governos fizeram para o Judiciário. Quem diz é Wadih Damous, ex-presidente da OAB/RJ e até poucos dias atrás, deputado federal pelo PT. A maioria dos juízes do atual STF foi nomeada por Lula e Dilma. Trata-se, segundo Damous, de erro e de ingenuidade – uma combinação que deu no julgamento do “Mensalão” e na omissão com um conjunto de barbaridades que levaram à votação do impeachment e à situação atual.

Enquanto o STF participa da trama do golpe, juristas historicamente ligados à esquerda e à democracia atuaram em defesa do governo e de Lula face às numerosas arbitrariedades dos últimos meses. Alguns deles poderiam estar sentados nas cadeiras do Supremo.

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