Rapidinhas

Leonardo Sakamoto, lúcido como sempre, em interessante entrevista à edição especial de Caros Amigos sobre mídia e política (julho de 2016):

“Primeiro, o desfecho seria diferente se Dilma não fosse uma péssima presidente. Se não tivesse ignorado tudo o que prometeu para a esquerda. O primeiro mandato já foi complicado, catastrófico, inclusive economicamente; no segundo, ela ganha a eleição defendendo exatamente uma política progressista. E ela assume com isso sabendo que na verdade ela teria que fazer outra coisa. Naquele momento ela teria duas possibilidades: ou governar com os movimentos sociais, com a população, ou governar com quem ela estava governando. Ela optou pelo outro caminho. O PT precisa parar de se vitimizar um pouco e fazer autocrítica. Agora a gente vai entrar num ciclo sombrio com relação à esquerda no Brasil muito por culpa de quem? Do PT. Não é da mídia, é do PT. Por quê? Porque o PT acreditou naquilo que não era para acreditar, o PT foi arrogante, soberbo e também se deixou corromper ou ele mesmo corrompeu. Então o que acontece? O próprio partido não fez a discussão a respeito da democratização da comunicação, o partido fugiu dessa discussão como o diabo foge da cruz. Eu não sei te dizer se aquela discussão tivesse sido feita lá atrás, você não teria, ou no segundo mandato do Lula – porque ele estava mais empoderado, pós-Mensalão, com dinheiro de commodities fluindo para dentro do Brasil -, se talvez não tivesse conseguido. Isso na verdade seria sintomático. Se tivesse ocorrido uma introdução a uma política de comunicação no Brasil, que fosse uma política para privilegiar a pluralidade, não calar vozes, deixar a Veja falar, a Globo, mas ter fomento à pluralidade, com regras claras, não regras para privilegiar amigos x, y ou z, se tivesse havido uma preocupação do governo para fazer isso, significa que o governo tem outra mentalidade. Isto é sintoma de um governo mais popular, mais progressista e mais democrático. E talvez o governo, sendo diferente, não teria feito os erros que levou ele chegar até lá, como Belo Monte. Belo Monte é um poço de corrupção, trabalho escravo a torto e à direito, exploração de trabalhadores, irrigou a Lava Jato, não ajuda em nada o desenvolvimento do País, reproduz o modelo de desenvolvimento da ditadura, contra qual ela lutou bravamente, que a torturou e a prendeu, e ela simplesmente reproduz aquele modelo, ou seja, ela mantém aquele processo. Como que mantendo aquele processo ela quer que no momento em que você tem uma alteração, uma mudança, aquilo vai beneficiar? Governos têm que estar abertos às críticas. Agora, se ela quer que críticas não partam só de um lado, partam do outro, ela teria que ter fomentado o crescimento.”

*  *  *

Avaliação de certa forma parecida – apontando que boa parte dos problemas em vigor e em pauta quanto à economia e à retirada de direitos tiveram origem e início no governo da Coração Valente – aparece da metade para o final deste debate realizado semana passada no Programa Faixa Livre.

 

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