Rapidinhas

Coisa de 5-8 anos atrás, convenientemente já fora da Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) andou se posicionando a respeito da legalização da maconha. Inclusive apareceu dando declarações em pelo menos um bom documentário que vi sobre o assunto.

Considerando que seu governo abraçou as políticas do governo dos EUA de “guerra às drogas” e que foi, também, antinacional em vários outros aspectos e setores (por exemplo, na iniciativa de instalar uma base militar dos EUA no Brasil em Alcântara, Maranhão; privataria; venda de ações da Petrobrás na bolsa de Nova York), sempre desconfiei da sinceridade da conversão à legalização. Pareceu-me mais que queria posar de moderno para parcelas mais jovens e/ou esclarecidas da sociedade.

Pois bem, boa parte da calamidade que nossa sociedade produziu nos presídios tem a ver com o comércio ilícito de drogas: o hiper-encarceramento; as penas; a seletividade da justiça; a formação, crescimento e atuação das facções. O careca do ABC que responde pela pasta da Justiça se supera a cada semana. Já foi até flagrado como mentiroso pelo house organ da Casa Branca, O Globo, no episódio da pedida de ajuda da governadora de Roraima ao Governo Federal. Continua no cargo – situação coerente com o que é o governo do Mordomo de Filme de Terror (ver Janio de Freitas, abaixo).

E onde está Fernando Henrique Cardoso, nesse momento? Vem a público defender a legalização das drogas – ou, ao menos, da maconha? Não… sumiu.

*  *  *

Janio de Freitas, em excelente artigo na ditabranda Folha de S. Paulo (via Luis Nassif):

“A combinação de pessoas e ineficácias a que chamamos de governo Temer tem uma particularidade. Nos tortuosos 117 anos de República e ditaduras no Brasil, jamais houve um governo forçado a tantas quedas de integrantes seus em tão pouco tempo, por motivos éticos e morais, quanto nos oito meses de Presidência entregue a Michel Temer e seu grupo.

Entre Romero Jucá, que em 12 dias estava inviabilizado como ministro, e o brutamontes Bruno Julio, que, instalado na Presidência, propôs mais degolas de presos, a dúzia de ministros e secretários forçados a sair é mais numerosa do que os meses de Temer no Planalto.

Foi para isso que o PSDB, o PMDB, a Fiesp, o jurista Miguel Reale e o ex-promotor Hélio Bicudo, a direita marchadora e tantos meios de comunicação quiseram o impeachment de uma presidente de reconhecida honestidade?

Sim. À vista da ausência, nem se diga de reação, mas de qualquer preocupação entre os autores do impeachment, a resposta só pode ser afirmativa. Até antecipada pelo descaso, também ético e moral, dos aécios, da Fiesp, de reales e bicudos. Estes também são partes do governo Temer, como o PSDB, ou seus associados. Logo, tão responsáveis pela indignidade dominante quanto o próprio Temer.”

 

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