O Jornal Nacional, mais uma vez, mentiu

A mentira é esta: “Previdência Social tem rombo de quase R$ 150 bilhões em 2016” (houve reportagens na mesma linha noutros veículos da maior corporação de mídia brasileira, como O Globo e G1). Trata-se de uma mentira por uma série de aspectos: pela manipulação dos números; por omitir as receitas vinculadas ao orçamento da seguridade social pela Constituição Federal; por omitir os valores colossais referentes a sonegação e as pilantragens fiscais feitas por empresários e empresas, sobretudo as multinacionais; e por outros muito bem expostos pelo economista e radialista Paulo Passarinho neste excelente comentário. O cerne da questão: seguridade social é um direito dos brasileiros estabelecido pela Constituição. Falar de déficit da Previdência é o mesmo que falar de déficit da campanha de vacinação contra a pólio, déficit do Exército, déficit da polícia, da escola, das universidades públicas, da justiça eleitoral (e/ou das eleições, que garantem o direito ao voto), do SUS ou da pavimentação e manutenção do asfalto das ruas.

Já repeti trocentas vezes isso neste espaço. Obviamente, as mentiras vão continuar, inclusive pelos interesses das corporações de mídia, associados aos dos bancos que vendem planos de previdência privada. Para o crescimento desses negócios, é fundamental espalhar a ideia – digna de Pinóquio – de que a seguridade social estatal é inviável e inútil. Na mesma direção, como uma espécie de tiro de misericórdia, vem essa proposta de contrarreforma apresentada pelo bando liderado pelo Mordomo de Filme de Terror. Se aprovada pelo Congresso Nacional tal como enviada pelo Executivo, na prática irá acabar com o direito de aposentadoria da maior parte da população brasileira, penalizando sobretudo os mais pobres; e dificultá-lo imensamente para todas as classes sociais.

*  *  *

Aliás, as condições para tais práticas jornalísticas vão piorar nos impressos do grupo, pois os capitalistas da família Marinho resolveram juntar as redações de três veículos. A notícia é apresentada como algo positivo – outra caozada braba, como cantaria o finado Bezerra da Silva. É positivo para os proprietários da empresa, que aumentarão a exploração dos jornalistas e demais trabalhadores que permanecerem empregados na nova redação. Estes provavelmente trabalharão mais e/ou produzirão mais, recebendo o mesmo salário. Refiro-me, evidentemente, aos que não forem demitidos, porque tais medidas sempre vêm acompanhadas de passaralhos. Na prática, a medida é muito ruim para leitores (que terão um serviço ainda pior do que o já tenebroso jornalismo praticado atualmente) e trabalhadores (embora obviamente o texto minta, afirmando o contrário).

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Uma resposta to “O Jornal Nacional, mais uma vez, mentiu”

  1. Rapidinhas | A Lenda Says:

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