Rapidinhas

Em meio a tantas más notícias recentes, típicas do inferno astral, uma boa: foi publicado o livro ¿Quién raya la cancha? Visiones, tensiones y nuevas perspectivas en los Estudios Socioculturales del Deporte en Latinoamérica, organizado por Rodrigo Soto Lagos e Omar Fernándes Vergara. Nele contribuí com o texto “O Mundial de 2014 no imaginário popular brasileiro”. A obra pode ser baixada na íntegra, gratuitamente, aqui.

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No nome – talvez seja só no nome mesmo -, o Brasil é uma República Federativa. Mas, se ele é uma República Federativa, qual o sentido do Governo Federal atuar como um FMI dos estados e municípios? Ressalte-se que esta é uma política de Estado, pois atravessou as presidências da República de diferentes partidos que tivemos desde os anos 1990. Uma política antirrepublicana, que cobra uma dívida ilegítima e que já foi paga; e impõe destruição da estrutura do estado e piora das condições de oferta dos serviços públicos, prejudicando a vida da população, sobretudo dos mais pobres. Uma tragédia com apoio amplo no espectro partidário, já que nenhum dos governadores denuncia a dívida como ilegítima e já paga.

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Por falar nisso, Rodrigo Ávila, numa entrevista fundamental a Paulo Passarinho, explica, descreve e argumenta aspectos fundamentais para compreender as dívidas dos governos federal, estaduais e municipais brasileiros. Basicamente, o economista desconstrói numerosas mentiras repetidas sistematicamente pelas corporações de mídia, pelos jornalistas e comentaristas econômicos e pelos próprios governos e governantes (incluindo governadores de partidos que antes de podia considerar de esquerda, como PCdoB e PT, os quais, faz tempo, não mais questionam o pensamento único em vigor).

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Na atual fase, o campeonato estadual do Rio tem os grupos B, C e X. Vai ver, é uma homenagem da FERJ a Eike Batista, esse prócer do empreendedorismo e do capitalismo em nosso estado (e país).

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Vladimir Safatle, sobre o contínuo esforço do governo estadual do PMDB fluminense de assassinar a UERJ: “Longe de ser um caso isolado, a UERJ é apenas o exemplo mais dramático da situação da educação brasileira pública. Um país que leva universidades ao ponto de fechamento, sem causar nenhuma indignação social efetiva, é um país arruinado. Por isso, há de se dizer que o problema da UERJ não é apenas de seus professores e alunos. Ele é a expressão crua do fracasso puro e simples da sociedade brasileira.

Pior: o problema é amplo e atinge ainda duas instituições estaduais que nunca sequer tiveram infraestrutura semelhante à da UERJ: a UENF e a UEZO. A destruição do Estado enquanto garantidor de direitos da população é um projeto que une os governos de Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Michel Temer (PMDB). No limite, o objetivo é o saque amplo, geral e irrestrito do Estado (nos níveis federal, estadual e municipal), ou seja, que a totalidade dos recursos públicos fiquem disponíveis para o capital, especialmente o capital financeiro e os grandes cartéis: multinacionais de diversos setores (petróleo, informática, automobilística, ensino superior privado etc.) empreiteiras e/ou concessionárias de serviços públicos etc. Para o capital e para os esquemas – afinal, não há diferença entre ambos, e, com esses governos, o ambiente de negócios está melhor do que nunca – basta ver como os capitalistas estão assanhados para abrir novas frentes, como a previdência privada, sobre a qual falei anteontem.

Um panorama detalhado da situação das universidades estaduais, assim como da FAETEC, pode ser ouvido neste debate (com uma hora de duração) no Programa Faixa Livre da última sexta-feira.

Por falar nisso, em 30 de janeiro de 2017, o calendário anual da Faperj ainda não estava no ar. Permanecia o de 2016. Seria um indício de que não haverá dinheiro para pesquisa em 2017?

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