Rapidinhas

Jânio de Freitas, antológico, na ditabranda Folha de S. Paulo (via Luis Nassif):

Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.

Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: “Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal”. Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.

Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.

*  *  *

Trecho de uma reportagem de Gerusa Marques no Estado de S. Paulo (29/3/2007), reproduzida no livro Política de Comunicações: um balanço dos governos Lula (2003-2010), de Venicio Lima:

“O ministro das Comunicações, Hélio Costa, criticou ontem o processo de privatização do Sistema Telebrás para justificar a criação da Rede Nacional de TV Pública. Em debate sobre o assunto na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, ele disse que o Brasil não dispõe de estrutura pública nacional para prestar serviços de comunicações. ‘Quando vendemos a preço de banana as nossas companhias na privatização, vendemos nossa rede pública’, afirmou. ‘Chego a dizer que hoje, em uma emergência que espero que não aconteça, se o presidente quiser fazer rede nacional, temos que pedir licença no México’. Ele se referia à Embratel, controlada pela Telmex, do mexicano Carlos Slim. A Embratel, além de deter infraestrutura terrestre que cobre o território nacional, é dona da Star One, que controla a maioria dos satélites de comunicação do País, por onde trafegam sinais de TV. ‘Quem tem a rede não é o governo brasileiro, não é nem sequer uma empresa nacional’. O Sistema Telebrás foi privatizado em 1998, pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

Costa aproveitou o debate também para dizer que o setor de comunicações no país fatura atualmente R$ 100 bilhões e que, desse total, R$ 90 bilhões ficam com as teles e o restante é dividido entre as emissoras de rádio e de TV. ‘Então, acho que compraram muito barato’.”

Breves observações:

a) Quem está dizendo que as privatizações foram um erro e feitas a “preço de banana” é um prócer da direita brasileira, ex-senador pelo PMDB de Minas Gerais, comprometido até o talo com interesses empresariais (sobretudo dos grupos de mídia nacionais, que em alguma medida contrastam com os interesses das teles multinacionais).

b) É interessante ver um político de direita, então ocupando um cargo num governo de centro-direita (o governo Lula), ter sua opinião publicada num jornal de direita, e essa opinião apontar um conjunto de equívocos no processo de privatização conduzido pelo governo de direita anterior (FHC): o preço da venda; a perda de poder de atuação do Estado; o desmantelamento de uma infraestrutura estatal estratégica; a perda de soberania nacional; a dependência com o exterior.

c) O que o Congresso Nacional está ensaiando fazer é outra tremenda pilantragem/crime no setor de telecomunicações, uma espécie de “gran finale” da bandalheira iniciada no governo FHC (PSDB) e completada por seguidas cagadas favorecendo cartéis empresariais durante os governos Lula (PT) e Dilma (PT).

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