Rapidinhas

Reproduzo abaixo excelente texto de Marina Amaral, divulgado no boletim da Agência Pública:

Escuta aqui, presidente

“Você, aqui no banco, já chegou o mais longe possível para uma mulher”. Foi essa frase que a economista Leda Paulani ouviu de seu chefe quando foi preterida – por um homem – para um cargo de coordenação em um banco nos anos 1980.

Titular do departamento de economia da Faculdade de Economia e Administração da USP, Leda é hoje uma das mais respeitadas economistas do país. O que não significa, porém, que a mentalidade de seu antigo chefe está superada. No mesmo dia 8 de março em que publicávamos sua entrevista, o presidente Temer dizia: “Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos”. E destacava a grande participação da mulher na economia do país porque é “capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados” e “identificar flutuações econômicas no orçamento doméstico”.

Apesar das declarações inequívocas, Temer prega a igualdade das mulheres exatamente aonde ela não pode existir: na idade mínima para a aposentadoria. Se para um país tão desigual, falar de aposentadoria aos 65 anos soa piada de mau gosto, para as mulheres – que tem dupla, tripla, quádrupla jornada de trabalho – é uma afronta, como deixaram claro as manifestações do 8 de março. E nem adianta dizer que homens e mulheres se aposentarem na mesma idade “é uma tendência mundial”, como fez o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A realidade entre os países, como constatou o Truco, invalida a comparação do ministro.

Trocando palavras por dados: no Brasil os homens gastam apenas 9 horas semanais aos afazeres do lar, enquanto as mulheres dedicam entre 20 e 25 horas semanais ao mesmo tipo de trabalho segundo uma pesquisa da Unicamp de 2015, baseada em dados do IBGE. O número de mulheres desempregadas é maior do que o de homens e o valor dos salários menor: quando a comparação leva em conta os anos de estudo, elas chegam a ganhar 25,6% a menos do que seus colegas homens. Além disso, apenas 37% dos cargos de chefia nas empresas do país é de mulheres.

A Pública se orgulha de ser uma organização dirigida por mulheres. E de estar fazendo escola como mostra reportagem da Abraji sobre os empreendimentos de mulheres no jornalismo.

Marina Amaral, codiretora da Agência Pública

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3 Respostas to “Rapidinhas”

  1. A festa é boa para pensar Says:

    […] via Rapidinhas — A Lenda […]

  2. jorgesapia Says:

    Bom dia Rafael, aproveito para deixar um abraço e compartilhar esse post.

  3. Rafael Fortes Says:

    Grande Sapia!

    Um prazer tê-lo por aqui.

    Um abração!

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