Rapidinhas

Quando se trata do tema violência no Rio de Janeiro, inclusive quando a polícia está envolvida nos crimes, contribuindo para o aumento da criminalidade (em vez de combatê-la), é sempre bom ouvir quem entende do riscado. O advogado João Tancredo e o professor Ignacio Cano deram excelentes entrevistas recentemente ao Programa Faixa Livre. Chico Alencar, também.

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Um triste, mas também belo texto sobre a morte de uma estudante chamada Maria Eduarda numa escola da rede municipal do Rio de Janeiro, do qual só tomei conhecimento hoje: “Seu dedo apertou o gatilho: o sonho acabou“, de Alcidesio Júnior (via Programa Faixa Livre).

Aliás, é essa categoria profissional (professores) a principal que tem sido combatida pela Prefeitura, pelo governo do estado e pelas reformas (da Previdência, do Ensino Médio, trabalhista etc.) do governo do Mordomo de Filme de Terror.

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Ainda sobre a palestra de Jair Bolsonaro na Hebraica Rio, Arnaldo Bloch acertou a mão nesta “Carta à Hebraica“.

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Disse o jornalista Elio Gaspari que:

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral passará o feriadão do suplício no Nazareno em Portugal, coordenando um seminário de notáveis promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, entidade privada da qual é bem sucedido sócio fundador.

Entre os patrocinadores do evento de Mendes estão a Federação do Comércio do Rio de Janeiro, a Associação de Empresas de Saneamento Básico Estaduais e a Itaipu Binacional. Os repórteres Beatriz Bulla e Fábio Fabrini mostraram que, além de terem vínculos direto ou indiretos com a bolsa da Viúva, esses três beneméritos têm processos tramitando no Supremo Tribunal Federal.

Enquanto isso, os professores universitários da rede federal seguem trabalhando no inacreditável e anacrônico regime de dedicação exclusiva. Pior: ambos os sindicatos que representam a categoria – Andes e Proifes – defendem a manutenção do grilhão, além de apregoarem aos quatro ventos suas supostas qualidades.

Não que a atuação do ministro e de seus colegas de Supremo (vários deles contratados a peso de ouro para dar aulas) no IBDP  sirva como referência, como o próprio texto de Gaspari indica… Mas, entre o libera-geral da maioria das carreiras do funcionalismo e o grilhão da D.E., há muitas possibilidades intermediárias, que permitam ao trabalhador gerir seu tempo livre (ou seja, de não-trabalho) e a manutenção de preceitos éticos e legais.

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Outro conjunto de absurdos – esses, em torno da Operação Lava Jato e das ordens do Califa da Cidade Modelo – é apresentado de forma muito clara e didática por Luis Nassif.

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Felizmente, persistem pessoas e setores que fazem o bom combate, pensam o país e apresentam soluções e projetos. Exemplos:

a) Esta entrevista de Maria Lucia Fatorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida

b) Esta entrevista dando conta das batalhas da associação de funcionários do IBGE contra a tentativa de destruição deste fundamental órgão de Estado.

c) Este debate.

 

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2 Respostas to “Rapidinhas”

  1. renata moraes Says:

    rafael, se vocês estão chamando a dedicação exclusiva de grilhão, imagina o que nós, da UERJ, sem salário e com DE sempre ameaçada pensamos…percebo que estamos beeem atrás nessa discussão. mas concordo com o absurdo desses outros “bicos” de juízes, desembargadores e outros…

  2. Rafael Fortes Says:

    Renata,

    Na verdade, acho que só eu chamo de grilhão. Todo mundo reivindica… Eu entendo que foi (nas federais) e é (na UERJ) uma medida paliativa para melhorar o salário.

    Você tem razão quanto à comparação com a UERJ.

    A questão, para mim, é de isonomia: quem ganha salário várias vezes maior do que nosso pode fazer o bico que quiser (inclusive bicos que implicam em questões éticas complicadas, como os colegas de STF que são colegas durante o dia e dão aula no curso privado de um dos ministros à noite), enquanto nós, que temos um dos piores salários do Executivo, não podemos. Um promotor do MPF pode ser professor 20 horas na UERJ. Eu não posso ser professor 20 horas na UERJ, nem em lugar algum.

    Acabaram com o “passe” no futebol porque era um grilhão injustificável face à legislação trabalhista. Enquanto isso, nossos sindicatos defendem a DE como “princípio”.

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