Rapidinhas

Para ouvir: três excelentes entrevistas no Programa Faixa Livre a respeito da bizarra proposta de “reforma” da Previdência apresentada ao Congresso pelo governo do Mordomo de Filme de Terror: com Maria Lucia Fatorelli, Rodrigo Ávila e Julio Miragaya.

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Para ler:

– J.P. Cuenca: “Apropriação ideológica e o meme da Globo feminista” (ainda que eu tenha ressalvas, especialmente ao último parágrafo, e tenda a concordar com alguns comentários).

– João Filho: “Temer revela meandros do golpe, mas Jornal Nacional só fala em Lula“. Um trecho fundamental:

“(…) o atual presidente do país, atolado nas mais graves delações da Lava Jato, confessa em rede nacional que a presidenta anterior só foi derrubada por não ceder às chantagens do seu principal aliado político – um criminoso cujo único objetivo era manter o foro privilegiado para evitar a cadeia. Sem nem corar, o usurpador confirma a tese do golpe defendida por Dilma. E isso, meus amigos, não é a grande notícia do país dessa semana! Os jornalistas da Band aceitaram com tranquilidade, e a repercussão nos dias seguintes foi mínima, irrelevante, para não dizer inexistente.”

O texto também traz dados sobre o telejornal mais vendido do Brasil, o Jornal Nacional.

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Enquanto isso, desgraças nossas de cada dia seguem firmes e fortes: homofobia e violência na periferia e nas favelas sob a justificativa de repressão às drogas. Há pelo menos três legalizações que precisamos fazer para ontem – casamento gay, drogas e aborto -, mas que, como sociedade, não conseguimos sequer discutir.

Na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, a base do prefeito, aliada a outras figuras da direita (umas votaram a favor, como o vereador do Partido Novo; outras, pelo que entendi, se abstiveram, como os vereadores Cesar Maia e Carlos Bolsonaro), votou contra a proposta do PSOL de cobrar dívidas com a Prefeitura de empresas como Unimed e Fundação Getúlio Vargas. Esta última, aliás, constantemente recebe recursos públicos para dar pareceres, consultorias, estudos e relatórios – uma prática que, a meu ver, já se tornou um fim em si mesmo.

Boa reportagem do The Intercept sobre a bandalheira em torno das emendas à (Contra)Reforma Trabalhista e de sua aprovação pela Câmara: “Lobistas de bancos, indústrias e transportes estão por trás das emendas da reforma trabalhista“. Boa parte das emendas foi elaborada por quadros de entidades patronais e apresentadas como se fossem obra do gabinete de deputados – incluindo casos bizarros de plágio. As mesmas práticas de corrupção que escandalizaram o país com a divulgação de informações sobre empreiteiras agora estão rolando a partir do lobby de outros cartéis: de bancos, empresas de transporte e logística, associações patronais. E os congressistas que se vendem são rigorosamente os mesmos. Mas a aprovação das medidas é apresentada pelas corporações de mídia como algo necessário para o país e a economia.

Sobre a mesma bandalheira, vale a pena ouvir esta entrevista com o advogado trabalhista Sérgio Batalha. Ele afirma com todas as letras que o objetivo único da proposta governamental – piorada pelas muitas emendas dos deputados que foram aprovadas – é um só: diminuir o custo para os patrões. Acrescento eu: a economia, o bem-estar, as relações sociais, os trabalhadores e suas famílias que se danem. Este é o espírito da proposta. A isto, muitos, inclusive as corporações de mídia, chamam modernização. É a modernização do regresso ao início do século XX.

Por fim, as propostas e políticas deste governo e deste congresso – covardes, senhoriais, antipopulares e antinacionais como são – prejudicam desproporcionalmente setores já prejudicados dos trabalhadores e da população, como povos indígenas e professores (categoria composta majoritariamente por mulheres, vítimas preferenciais das retirada de direitos que vêm sendo propostas).

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