Bush filho e a PM do Rio

O ex-presidente dos EUA, George W. Bush, instaurou um troço chamado “guerra preventiva”, que consistia em atacar inimigos “preventivamente”, antes da guerra acontecer. Ou seja, trata-se de uma gambiarra discursiva para atacar os outros – um ato de guerra – fingindo que não se está propriamente em guerra (o que, de certa forma, pode ser verdade, quando um dos lados está atacando e o outro, apenas contando mortos e feridos).

Pois bem, ontem a PM do Rio agiu dessa forma. Um ato que reunia todas as centrais sindicais e milhares de pessoas foi inviabilizado antes de ocorrer pela violência-padrão costumeira da polícia militar – quando se trata de reprimir passeatas com público de esquerda (sem camisas da seleção brasileira de futebol), o povo que mora nas favelas e/ou torcidas de futebol. Guerra preventiva ao direito de expressão e manifestação, oferecendo ao público que foi ao Centro (ou que por lá já estava) uma pequena parte da experiência que quem vive nas favelas enfrenta todo dia. Podem faltar vacinas ou medicamentos nos postos de saúde, mas bombas para a polícia jogar em trabalhadores, nunca soube faltarem. Taí: em vez de professor, talvez eu devesse ser um empresário que fornece bombas para a polícia do Rio de Janeiro. Quanto maior a crise, maior a demanda! Mais uma vez, o estado do Rio de Janeiro é a vanguarda do atraso no país (o Metrô, privatizado, se preocupa apenas com o próprio patrimônio, fechando estações para  colaborar ativamente com as táticas de tocaia da polícia e para colocar a população em risco). Talvez seja o caso das centrais sindicais marcarem o próximo ato para um domingo, no Leblon, para ver se rola um determinismo geográfico e a polícia dá uma maneirada.

Reproduzo abaixo nota da OAB-RJ, que, em poucos parágrafos, sintetiza o que penso, e lista uma parte dos crimes cometidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro na tarde/noite de ontem.

Vamos ver quantos anos mais vamos levar para acabar com essa polícia militar. E com os governos Pezão (PMDB) e Temer (PMDB). Diretas já!

Nota oficial

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado do Rio de Janeiro, vem a público repudiar veementemente a violenta ação da Polícia Militar contra milhares de manifestantes que participavam de ato no fim da tarde desta sexta, dia 28, na Cinelândia.

Nada justifica a investida, com bombas e cassetetes, contra uma multidão que protestava de modo pacífico. Se houve excessos por parte de alguns ativistas, a Polícia deveria tratar de contê-los na forma da lei. Mas o ataque com métodos de tocaia e a posterior perseguição por vários bairros a pessoas que tão-só exerciam seu direito à manifestação representa grave atentado à Constituição e ao Estado democrático de Direito.

O Brasil passou mais de duas décadas sob o jugo do autoritarismo. Não podemos admitir qualquer ensaio de retorno a aqueles tempos sombrios. É o alerta que a OAB/RJ, em seu papel institucional, faz nesse preocupante momento de nossa história. Democracia, sempre.

 

Diretoria da OAB/RJ
Rio de Janeiro, 28 de abril de 2017″
[Adendo às 6h49 de 29/4: o Mordomo de Filme de Terror também soltou uma nota. Tem dois parágrafos e média de mentiras-por-frase acima de 1,0. Sério, eu contei.]
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Uma resposta to “Bush filho e a PM do Rio”

  1. Rapidinhas | A Lenda Says:

    […] sobre a greve geral do dia 28 de abril, um relato triste de uma vítima da estupidez sem limites da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (com a notável contribuição do Metrô Rio, ao […]

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