Rapidinhas copeiras

Um silêncio ensurdecedor. É o que me parece ser a postura do jornalismo brasileiro sobre futebol a respeito dessa beleza chamada The Player’s Tribune: um site onde os atletas contam suas próprias histórias. Sem perguntas capciosas, sem grosserias, sem críticas estúpidas, sem microfone batendo no queixo, sem empurrões, sem distribuição de cascas de banana para ver se escorregam. Sem perguntas quilométricas que contém as próprias respostas e só deixam ao entrevistado a opção de murmurar. Sem perguntas péssimas, inúteis e inconvenientes na saída do primeiro e do segundo tempo.

Pode-se ler, por exemplo, essa maravilha de depoimento do belga Lukaku (em inglês), sobre sua trajetória. Inclui o assédio de pais de jogadores dos times adversários, quando ele era criança. Os pais ficavam enchendo o saco perguntando onde havia nascido, que idade tinha etc. Permite pensar também na crueldade que as transmissões de campeonatos exclusivamente por meio de pacotes de televisão por assinatura podem representar para crianças, impedindo-as de acompanhar o futebol que tanto amam e submetendo-as a constrangimentos no dia seguinte, na escola.

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Dinamarca x França parece ter sido, de longe, o pior jogo da Copa até agora. Rússia x Bélgica foi, para mim, o medo dos medos de 2014.

Mas um monte de gente, sobretudo jornalistas que cobrem futebol, já está colocando antecipadamente a culpa das partidas ruins de 2026 no aumento do número de seleções para 48.

Perdi a conta de partidas horrorosas que vi de Itália, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Portugal e afins em Copas. Suíça, então, nem se fala – e olha que em algumas edições, felizmente, ela não esteve.

Não vejo coerência entre celebrar as novidades Panamá e Islândia, as comemorações, o barato das torcidas, dizer que “é muito mais que futebol” – e ficar defendendo que Copa boa é a que tem as mesmas seleções (frequentemente medonhas) de sempre.

Faz ainda menos sentido que os que tenho visto reclamando de 48 seleções sejam os mesmos que celebrem média de gols alta como sinônimo de qualidade, bons jogos ou bom futebol (talvez nunca tenham assistido à primeira fase da Copa do Brasil de clubes) – pelo visto, ainda não tiveram tempo de raciocinar que a média de gols provavelmente vai aumentar.

A Copa da Itália, de longe a pior que vi, teve 24 seleções, proporcionamente mais equipes europeias e a pior média de gols da história.

Os panamás da Europa há muito jogam Copa. O que 2026 vai fazer é deixar alguns panamás dos outros continentes participarem também. Faço gosto.

Entre meus amigos, faço parte de uma minoria bem pequena mesmo.

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Continuo esperando o “confere” das agências de checagem de fatos nos horários dos jogos da Copa divulgados pelo SporTV.
#fakenewsdeverdade

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A cada Copa se renova o desespero da turma do microfone de já sair determinando seleções eliminadas na segunda rodada da fase de grupos. A matemática, contudo, não muda. Sim, é possível se classificar com 3 pontos. E dá para ser eliminado com 6 pontos.

Uma eterna “novidade” que surpreende vários especialistas que já cobriram X Copas, como fazem questão de anunciar.

 

 

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