Archive for the ‘Geral’ Category

Os crimes e o libera-geral do Estado policial passam bem, obrigado

10/12/2017

Por uma série de motivos, não tenho atualizado este blogue com a frequência que gostaria. Contudo, a escrotidão de setores investigativos – e, em tese, preocupados com o cumprimento da lei – do serviço público federal na ação recente na UFMG merece registro. Elio Gaspari, que é até comedido quando se trata desses assuntos, foi ao ponto.

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Rapidinhas

30/9/2017

Nesta excelente entrevista, Arthur Koblitz, do BNDES, faz uma análise aguçada e contundente da tragédia que vivemos no Brasil.

Aliás, um dos motivos que fazem do BNDES uma instituição estatal fundamental para uma nação soberana e desenvolvida é atrair e manter quadros que sejam capazes de pensar o país – coisa que os atuais dirigentes da nação, bem como a maioria dos membros do Judiciário e do Legislativo, parece claramente incapaz de fazer.

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Nada mudará na segurança pública do Rio de Janeiro enquanto os debates na sociedade e a cobertura midiática se basearem em ficções, firulas, mentiras e cortinas de fumaça. É muito bom ouvir Vinicius George, um delegado de polícia, dizer com todas as letras verdades que convenientemente são omitidas na cobertura do assunto produzida pelas corporações de mídia:

a) militares das Forças Armadas, policiais e colecionadores privados de armas são os principais fornecedores de armas e munições para os criminosos do Rio de Janeiro. (Ou seja, tais fornecedores são criminosos e membros de quadrilha.)

b) só existe venda de drogas no varejo no Rio de Janeiro com pagamento regular de arregos à polícia.

Enquanto isso, as corporações de mídia seguem com a ficção – conveniente para todos os bandidos, inclusive os servidores públicos corruptos, fardados ou civis – de que há uma guerra entre polícia e tráfico no Rio de Janeiro.

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Os brasileiros que andam deslumbrados com Portugal, sem nada saber sobre as razões políticas para os ascensos e descensos da economia e do funcionamento dos serviços públicos naquele país (da mesma forma que não compreendem as razões para os nossos próprios ascensos e descensos), que não sabem o que é esquerda ou direita, nem ouviram falar da Troika, fariam bem em ver o filme “São Jorge”. Na obra de ficção, o país real que não aparece para os turistas deslumbrados – e que, caso aparecesse, se recusariam em enxergar.

Outro aspecto relevante que passa ao largo das análises dos deslumbrados: embora muito católico e conservador, na média me parece que Portugal avançou mais do que nós nas legalizações do aborto, das drogas e do casamento gay. Estas três legalizações são fundamentais para:

a) uma sociedade/país chegar ao século XXI

b) a redução de mortes, prisões e sofrimento desnecessários

c) a garantia de direitos das pessoas e a redução das violações destes direitos, seja por por agentes privados (inclusive familiares), seja por agentes do Estado.

Não só Portugal, aliás… Espanha, Argentina, e por aí vai.

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Pingou na caixa postal excelente reportagem do Truco, projeto da Agência Pública. Ela apresenta evidências de que o distritão, que muitos deputados e senadores querem aprovar no Brasil, vai piorar bastante o nosso sistema político e a composição do Congresso.

É justamente por isso, aliás, que determinados setores e partidos querem adotá-lo.

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Dentro da confusão que nos assola, Luis Nassif acrescenta uma interessante e curiosa variável a considerar: a Maçonaria.

 

Rapidinhas

15/8/2017

O mestre Wanderley Guilherme dos Santos, numa avaliação curta e definitiva sobre o período que vivemos e sobre o que precisa ser apresentado como projeto nas próximas eleições (caso elas venham a ser realizadas e de forma livre, claro):

À esquerda, o problema não é agônico, mas exigente. Se não prometer a convocação de plebiscito autorizando o governo a revisar a legislação antisocial, eliminar a insanidade econômica e reparar as brechas abertas na aba militar da soberania nacional, se não for para isso, pode esquecer. A taxa de votos brancos, nulos e de abstenção baterá recordes. Retomar emprego e salário depende de investimento produtivo e circulação de mercadorias a baixo custo. As fontes de investimento são a poupança interna das empresas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que a direita alucinada quer reduzir a brechó, e o sistema financeiro. A empresa privada é dona do destino de sua poupança, mas a política do BNDES é responsabilidade do governo. Em acréscimo, cabe a um governo popular estrangular a exploração rentista beneficiando bancos, obrigando-os a prover empréstimos de longo prazo aos empreendedores, grandes e pequenos, com garantia de remuneração razoável fixada pelo mercado, que fingem respeitar, e não com os negócios especulativos que manipulam e controlam.

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O deputado federal (PT/RJ) e ex-presidente da OAB/RJ, Wadih Damous, colocou bons pingos em alguns is: “Dallagnol e a ANPR: a defesa desonesta de inexistentes regalias corporativas“.

Rapidinhas

18/6/2017

Do professor Ricardo Antunes, da Unicamp, em excelente entrevista ao Programa Faixa Livre:

“Eu não sei calcular quanto o capital financeiro brasileiro ganhou nesses 30 minutos que nós estamos falando. Com crise ou sem crise, os juros mais altos do mundo… (…) Por que que se diz que a Previdência é deficitária? A Previdência não é deficitária. O que é deficitário no Brasil é o juros da dívida pública. Se você pegar o quanto o governo brasileiro, o Estado brasileiro gasta do Orçamento para pagar os juros da dívida pública (…) Na verdade, a privatização da Previdência é para garantir superávit primário para pagar os juros da dívida. E o juros da dívida ganha quem? Ganham os bancos. Perde quem? Todos os assalariados e todas as trabalhadoras, que são obrigados a pagar um endividamento que não lhes beneficia. Quem ganha? Qual foi o lucro do Itaú nesse trimestre? (…) Qual foi o lucro do Santander nesse trimestre? O Santander supre a crise dele na Espanha com o que ele ganha na América Latina, em particular no Brasil.”

(o trecho está por volta de 38 minutos neste link).

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Da série “O legado dos megaeventos esportivos no Rio de Janeiro”: “Vila do Pan acumula problemas após ter sido um sucesso de vendas“.

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Luis Nassif, em outra boa análise de conjuntura: “Para se acreditar em um país sério só faltaria o MPF investigar os negócios da FIFA-Globo, do IDP de GIlmar Mendes com o Tribunal de Justiça da Bahia e o enriquecimento de José Serra.

Acho que falta muito mais para isso (por exemplo, prender determinados chefes de Executivo e de Legislativo enquanto têm a caneta na mão, e não apenas depois de deixarem os cargos), mas as ações citadas por ele ajudariam muito. Não dá para ficar investigando apenas os poderes relativamente mais democráticos (Executivos e Legislativos, que são eleitos pelo voto) e não se investigar as safadezas, a corrupção sistêmica e os vínculos umbilicais com o capitalismo neoliberal, com o desmonte do Estado brasileiro, com a venda da pátria por menos de 30 dinheiros, com o desrespeito à democracia e à igualdade de direitos e com a destituição dos direitos dos trabalhadores que caracterizam majoritariamente as ações do Poder Judiciário e das empresas de comunicação brasileiras. Não por acaso, nenhum deles eleito: não votamos para juiz e não votamos para escolher que famílias, grupos, empresas e/ou igrejas são concessionárias de serviços públicos radiodifusão.

Um vídeo

17/6/2017

Rapidinhas

16/6/2017

Pingou na caixa postal mais uma notícia que evidencia a farsa do discurso de que há, no Rio de Janeiro, uma guerra entre polícia e traficantes: “Crime no Rio de Janeiro: quando é o traficante que entrega os policiais“. Contudo, a ampla maioria dos veículos de comunicação e dos que neles trabalham seguem alimentando o conto da carochinha da guerra. A matéria também faz referência uma política no mínimo discutível em vigor há muitos anos no Rio de Janeiro, ao menos desde que o PMDB assumiu o governo do estado: o combate preferencial a uma facção criminosa específica. Um trecho:

Números do Gaeco, braço do Ministério Público dedicado à investigação e combate ao crime organizado e controle externo da atividade policial, revelam que depois dos traficantes, PMs e ex-PMs são os mais denunciados no Rio. Dos 4.082 investigados pelo órgão, de 2010 a março de 2017, 1.886 são traficantes e 563 são policiais ou já exerceram a função. Na sequência, policiais civis, com 150 agentes denunciados.

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Uma bela história narrada pela jornalista Gabriela Viana. Não acho que seja tão raro acontecer assim, como sustenta o texto e algumas falas nele. O que acho raro, muito raro mesmo, é o jornalismo das corporações de mídia transformar casos assim em notícia.

Rapidinhas

15/6/2017

Da série “O maravilhoso mundo das relações de consumo no Brasil”, esta notícia: “Mulher acidentada ao fugir de rato no McDonald’s receberá indenização de R$ 40 mil“. A justiça brasileira, amiga do capital, fez sua parte para manter as relações selvagens de consumo que temos: condenou uma empresa multibilionária a uma indenização irrisória, daquelas que não provocam nem coceirinha no fluxo de caixa.

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Boa reportagem de Ciro Barros, da Agência Pública: “Como a Lei de Organizações Criminosas foi usada contra o MST no Paraná” (via GGN)

A Lei de Organizações criminosas, não custa lembrar, foi uma iniciativa do governo Dilma Rousseff (PT), que usou sua maioria no Congresso para aprová-la.

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Ainda no âmbito do Judiciário, uma interessante matéria de Patricia Faermann no GGN: “As polêmicas envolvendo o IDP de Gilmar Mendes“.

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Há salários de servidores ativos, aposentados e pensionistas atrasados, mas o governo Pezão (PMDB) continua firme e forte a farra das isenções fiscais.

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Gostei dessa análise de Luis Nassif sobre o governo do Mordomo de Filme de Terror e quais passos precisam ser dados quando ele chegar ao fim.

Rapidinhas

10/6/2017

Caso sejam verdadeiras as afirmações da capa, o jornal O Povo de anteontem traz mais uma evidência de que é uma ficção o tratamento jornalístico do que acontece entre polícia e varejo da droga no Rio de Janeiro como “guerra”: “Policiais cobravam R$ 1 milhão para traficantes usarem caveirão. Inquérito que apurava morte de líder comunitária foi concluído. Glória Mica morreu por não aceitar pagar propina a PMs“.

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Como diria o poeta, “o novo já nasce velho”: o vereador do Partido Novo no Rio de Janeiro segue atuando firme e forte para defender os interesses das empresas e dos empresários. Desta vez, do transporte rodoviário. Enquanto isso, todo dia as empresas de ônibus fazem tudo sempre igual (e a Prefeitura, seja no governo do que prometeu que iria cuidar das pessoas, seja nos governos anteriores): hoje, foi um morto e dezenas de feridos. Na Cidade Olímpica, a montanha-russa atende pelo nome de ônibus. Só que, em vez de divertir, fere e mata. A Prefeitura, firme e forte, segue em seu papel de telemarketing passivo: fica fazendo rankings e anotando reclamações. Finge que não é com ela fiscalizar a bandalheira ampla, geral e irrestrita cometida todo santo dia pelas empresas de transporte rodoviário.

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Segundo Luis Nassif, as investigações a respeito de corrupção e outras pilantragens envolvendo empresas, empresários e políticos são também uma nova e milionária frente de negócios no setor de advocacia, com ramificações no de auditorias. Sob a alegação de que se está combatendo a corrupção e recuperando dinheiro público roubado, estabelecem-se relações promíscuas. Estas relações, por sua vez, custam um dinheirão aos próprios cofres públicos. Tudo muito sofisticado e de acordo com a lei (e com o que manda o Tio Sam), é claro.

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Atuando como praga de gafanhoto, o PMDB vai destruindo as já carcomidas instituições estatais brasileiras. Depois de trocentas administrações peemedebistas, os Correios estão moribundos (e continuam definhando). Estão arrebentando com o IBGE, o IPEA e o BNDES. Com o Banco do Brasil, também estão conseguindo: demissões, fechamento de agências, agora até o atendimento telefônico de várias agências foi banido. Vai acabar ficando um banco que guarda o dinheiro das pessoas, mas com o qual os clientes não conseguem entrar em contato.

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Mais um episódio do capitalismo à rubro-negra: o site do sócio-torcedor informa que “Setores Leste & Sul: Sócio-Torcedor que comprou ingresso para um desses setores, deverão levar o seu voucher além do cartão ingresso para orientação interna e localização do seu acesso às arquibancadas“. Afinal, agora o futebol brasileiro é muito organizado, assim como a diretoria do Flamengo, e alguns setores têm lugar marcado. Só que não…

O  torcedor tenta imprimir, mas o site/sistema não permite a impressão. Então o corno que paga mensalmente o tal Nação Rubro-Negra, possivelmente o pior programa de sócio-torcedor do mundo, entra em contato com o “Fale Conosco”.

Resposta de telemarketing: “Seu voucher não esta disponível para impressão, devido seus ingressos terem sido carregado no seu cartão ingresso de Sócio torcedor. Estamos a disposição.”

O torcedor tenta de novo: “Vocês só podem estar de brincadeira. Vejam o que está escrito no site do NRN: “- Setores Leste & Sul: Sócio-Torcedor que comprou ingresso para um desses setores, deverão levar o seu voucher além do cartão ingresso para orientação interna e localização do seu acesso as arquibancadas.” (…) Estão batendo mais cabeça que a defesa do Flamengo!”

A segunda resposta é o cheque-mate, introduzindo a situação de loop que caracteriza a surdes e obtusidade do telemarketing: “Seu voucher não esta disponível para impressão, devido seus ingressos terem sido carregado no seu cartão ingresso de Sócio torcedor. Estamos a disposição.”

Ou seja, é para imprimir a partir do site, mas o voucher não está disponível para impressão. A isto, muitos classificam como “boa administração”.

Rapidinhas

3/6/2017

Esta semana publiquei dois textos no blogue coletivo História(s) do Sport, que trata de história do esporte e do lazer:

a) Mais sobre a cultura do surfe no Sul da Califórnia;

b) Bra Boys (sobre o filme homônimo).

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Pelo andar da carruagem, caso tenhamos eleições em 2018, e estas sejam livres, João Dória poderá ser o nome do PSDB, com apoio dos cartéis midiáticos, à presidência da República (ou ao Palácio dos Bandeirantes). Da última vez que tivemos uma eleição presidencial, uma candidata ruim (a Coração Valente) ganhou de outro ainda pior (o Mineirinho). Pintado como menino de ouro pelas corporações de mídia – inclusive a maior delas, que resolveu linchá-lo publicamente, na maior cara de pau e como se nada soubesse antes, poucas semanas atrás -, ele quase ganhou o segundo turno.

Lá vamos nós, de novo, assistir à transformação de uma figura com este perfil num presidenciável sem defeitos, que vai dar jeito no país?

Rapidinhas

28/5/2017

[Escrito no sábado, 26/5/2017]

A organização e a capacidade administrativa e financeira dos neoliberais que dirigem a Gávea – que denominei certa vez “capitalismo esportivo à rubro-negra” são unanimidade no jornalismo que cobre futebol no Rio de Janeiro.

Pois bem: hoje, sábado, 27 de maio de 2017, um torcedor que deseje comprar ingressos para o próximo jogo com mando do Flamengo – daqui a oito dias, em 4/6, contra o Botafogo, no estádio da Portuguesa da Ilha – não pode fazê-lo. Não adianta ser sócio-torcedor: no site para o sociotário-torcedor, a seção “ingressos” é um grande, imenso vazio. O time tem 36 jogos pela frente no Campeonato Brasileiro, mas o torcedor não pode comprar ingresso para nenhum deles – nem para as rodadas de novembro e dezembro, nem para a quarta rodada, no fim de semana que vem. Sequer há informações sobre quanto custarão, quando começarão a ser vendidos etc. E não adianta alguém alegar que é porque o time não sabe onde mandará os jogos: até hoje, sempre foi assim, com ou sem Maracanã (ver, por exemplo, esse texto meu reclamando da mesma coisa em outubro de 2013).

Eis um bom exemplo do capitalismo à brasileira.

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Ainda falando de futebol, mas agora já no domingo, 28/5/2017: campanha do Sport no Campeonato Brasileiro:

a) Rodadas 1 e 2, com o estrategista pão-de-queijo treinando o time: Ponte Preta 4×0 Sport; Sport 1×1 Cruzeiro.

b) Demitiram o Rinus Michels que veio das Gerais. Rodada 3: Sport 4×3 Grêmio.

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Pacote de leituras:

1) Luis Nassif: “Xadrez da última aposta da Globo“. Um trecho sobre o que, corretamente, o jornalista classifica como “o avanço do estado policial”:

Por qualquer ângulo que se olhe, por qualquer capivara que se analise, a operação da Procuradoria Geral da República contra o presidente da República foi abusiva. Amplia-se de forma inédita o estado policial no país, com a delação e o grampo entrando por todos os poros da vida nacional, incutindo a desconfiança em todas as relações sociais e convertendo o país no paraíso dos criminosos delatores

Gravar um presidente da República – ainda que seja um desqualificado como Michel Temer –, e expô-lo ao julgamento de uma emissora de televisão é de uma gravidade extrema, típica de países doentes.

Essa conta será cobrada da Globo e do Ministério Público Federal, ao menor sinal de recomposição do poder político.

Mesmo assim, não se pode varrer para baixo do tapete o que foi levantado. Trata-se do presidente mais sem noção e mais inescrupuloso da história.”

2) Como se não bastassem os ataques do governo do Mordomo de Filme de Terror e do estado policial, agora, segundo artigo de Cíntia Alves no GGN, a Rede Globo também aponta suas armas contra o BNDES. Não deixa de ser coerente com quem reproduz e compartilha os pontos de vista do capital financeiro, do capital internacional e da Casa Branca. Instituições como BNDES, IPEA e IBGE não interessam a um país soberano e desenvolvido. Não interessam ao modelo de país defendido pelo governo do Mordomo de Filme de Terror e pelas Organizações Globo.

3) Lucas Figueiredo: “Vendido como mocinho pela irmã, Aécio garantiu blindagem da imprensa por 30 anos” (via GGN).

4) Marta Fernández – “Depressão: O segredo de todas as famílias” (via Jornal da Ciência)


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