Archive for the ‘Geral’ Category

Rapidinhas

28/4/2017

Para ouvir: três excelentes entrevistas no Programa Faixa Livre a respeito da bizarra proposta de “reforma” da Previdência apresentada ao Congresso pelo governo do Mordomo de Filme de Terror: com Maria Lucia Fatorelli, Rodrigo Ávila e Julio Miragaya.

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Para ler:

– J.P. Cuenca: “Apropriação ideológica e o meme da Globo feminista” (ainda que eu tenha ressalvas, especialmente ao último parágrafo, e tenda a concordar com alguns comentários).

– João Filho: “Temer revela meandros do golpe, mas Jornal Nacional só fala em Lula“. Um trecho fundamental:

“(…) o atual presidente do país, atolado nas mais graves delações da Lava Jato, confessa em rede nacional que a presidenta anterior só foi derrubada por não ceder às chantagens do seu principal aliado político – um criminoso cujo único objetivo era manter o foro privilegiado para evitar a cadeia. Sem nem corar, o usurpador confirma a tese do golpe defendida por Dilma. E isso, meus amigos, não é a grande notícia do país dessa semana! Os jornalistas da Band aceitaram com tranquilidade, e a repercussão nos dias seguintes foi mínima, irrelevante, para não dizer inexistente.”

O texto também traz dados sobre o telejornal mais vendido do Brasil, o Jornal Nacional.

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Enquanto isso, desgraças nossas de cada dia seguem firmes e fortes: homofobia e violência na periferia e nas favelas sob a justificativa de repressão às drogas. Há pelo menos três legalizações que precisamos fazer para ontem – casamento gay, drogas e aborto -, mas que, como sociedade, não conseguimos sequer discutir.

Na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, a base do prefeito, aliada a outras figuras da direita (umas votaram a favor, como o vereador do Partido Novo; outras, pelo que entendi, se abstiveram, como os vereadores Cesar Maia e Carlos Bolsonaro), votou contra a proposta do PSOL de cobrar dívidas com a Prefeitura de empresas como Unimed e Fundação Getúlio Vargas. Esta última, aliás, constantemente recebe recursos públicos para dar pareceres, consultorias, estudos e relatórios – uma prática que, a meu ver, já se tornou um fim em si mesmo.

Boa reportagem do The Intercept sobre a bandalheira em torno das emendas à (Contra)Reforma Trabalhista e de sua aprovação pela Câmara: “Lobistas de bancos, indústrias e transportes estão por trás das emendas da reforma trabalhista“. Boa parte das emendas foi elaborada por quadros de entidades patronais e apresentadas como se fossem obra do gabinete de deputados – incluindo casos bizarros de plágio. As mesmas práticas de corrupção que escandalizaram o país com a divulgação de informações sobre empreiteiras agora estão rolando a partir do lobby de outros cartéis: de bancos, empresas de transporte e logística, associações patronais. E os congressistas que se vendem são rigorosamente os mesmos. Mas a aprovação das medidas é apresentada pelas corporações de mídia como algo necessário para o país e a economia.

Sobre a mesma bandalheira, vale a pena ouvir esta entrevista com o advogado trabalhista Sérgio Batalha. Ele afirma com todas as letras que o objetivo único da proposta governamental – piorada pelas muitas emendas dos deputados que foram aprovadas – é um só: diminuir o custo para os patrões. Acrescento eu: a economia, o bem-estar, as relações sociais, os trabalhadores e suas famílias que se danem. Este é o espírito da proposta. A isto, muitos, inclusive as corporações de mídia, chamam modernização. É a modernização do regresso ao início do século XX.

Por fim, as propostas e políticas deste governo e deste congresso – covardes, senhoriais, antipopulares e antinacionais como são – prejudicam desproporcionalmente setores já prejudicados dos trabalhadores e da população, como povos indígenas e professores (categoria composta majoritariamente por mulheres, vítimas preferenciais das retirada de direitos que vêm sendo propostas).

Rapidinhas

10/4/2017

Quando se trata do tema violência no Rio de Janeiro, inclusive quando a polícia está envolvida nos crimes, contribuindo para o aumento da criminalidade (em vez de combatê-la), é sempre bom ouvir quem entende do riscado. O advogado João Tancredo e o professor Ignacio Cano deram excelentes entrevistas recentemente ao Programa Faixa Livre. Chico Alencar, também.

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Um triste, mas também belo texto sobre a morte de uma estudante chamada Maria Eduarda numa escola da rede municipal do Rio de Janeiro, do qual só tomei conhecimento hoje: “Seu dedo apertou o gatilho: o sonho acabou“, de Alcidesio Júnior (via Programa Faixa Livre).

Aliás, é essa categoria profissional (professores) a principal que tem sido combatida pela Prefeitura, pelo governo do estado e pelas reformas (da Previdência, do Ensino Médio, trabalhista etc.) do governo do Mordomo de Filme de Terror.

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Ainda sobre a palestra de Jair Bolsonaro na Hebraica Rio, Arnaldo Bloch acertou a mão nesta “Carta à Hebraica“.

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Disse o jornalista Elio Gaspari que:

O ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral passará o feriadão do suplício no Nazareno em Portugal, coordenando um seminário de notáveis promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, entidade privada da qual é bem sucedido sócio fundador.

Entre os patrocinadores do evento de Mendes estão a Federação do Comércio do Rio de Janeiro, a Associação de Empresas de Saneamento Básico Estaduais e a Itaipu Binacional. Os repórteres Beatriz Bulla e Fábio Fabrini mostraram que, além de terem vínculos direto ou indiretos com a bolsa da Viúva, esses três beneméritos têm processos tramitando no Supremo Tribunal Federal.

Enquanto isso, os professores universitários da rede federal seguem trabalhando no inacreditável e anacrônico regime de dedicação exclusiva. Pior: ambos os sindicatos que representam a categoria – Andes e Proifes – defendem a manutenção do grilhão, além de apregoarem aos quatro ventos suas supostas qualidades.

Não que a atuação do ministro e de seus colegas de Supremo (vários deles contratados a peso de ouro para dar aulas) no IBDP  sirva como referência, como o próprio texto de Gaspari indica… Mas, entre o libera-geral da maioria das carreiras do funcionalismo e o grilhão da D.E., há muitas possibilidades intermediárias, que permitam ao trabalhador gerir seu tempo livre (ou seja, de não-trabalho) e a manutenção de preceitos éticos e legais.

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Outro conjunto de absurdos – esses, em torno da Operação Lava Jato e das ordens do Califa da Cidade Modelo – é apresentado de forma muito clara e didática por Luis Nassif.

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Felizmente, persistem pessoas e setores que fazem o bom combate, pensam o país e apresentam soluções e projetos. Exemplos:

a) Esta entrevista de Maria Lucia Fatorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida

b) Esta entrevista dando conta das batalhas da associação de funcionários do IBGE contra a tentativa de destruição deste fundamental órgão de Estado.

c) Este debate.

 

Rapidinhas

8/4/2017

O governo de vende-pátrias e lesa-pátrias, coerentemente, nomeou para diversos órgãos pessoas sem qualquer vocação para administrá-los. Em alguns casos, sequer têm capacidade de compreender a razão da existência daquilo que dirigem. Como o projeto do governo do Mordomo de Filme de Terror é destruir o país, parte de seus esforços consistem em precarizar órgãos fundamentais de Estado como o BNDES, o IPEA e o IBGE. Sobre este último, recomendo ouvir esta nota.

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Eis mais um bárbaro exemplo do quanto a formação nas forças armadas e nas polícias pouco avançou desde a democratização e a Constituição de 1988. A vítima perdeu um testículo e periga perder o outro, além de ter levado mordidas nas nádegas dadas por um cabo conhecido por “Cachorro Louco”. Tais casos são muito comuns, embora raramente sejam denunciados. Mesmo quando o são, raramente vêm a público nas corporações de mídia – o que não deixa de ser uma atitude coerente, do ponto de vista político-editorial, afinal, a ampla maioria delas apoiou os golpes de 1964 e 2016 e apoia sistematicamente a violência policial, sobretudo quando esta atinge a população negra, jovem e da periferia.

O batalhão em questão, como é praxe nessas ocasiões, “afirmou que ‘rechaça veementemente a prática de maus-tratos ou de qualquer ato que viole direitos fundamentais dos militares em treinamento e cursos de formação’“. Tais práticas acontecem há décadas, são de conhecimento de centenas de pessoas, mas a instituição toma providências após os casos virem a público e caírem na imprensa. Ou seja, enquanto vigora a situação normal (os casos acontecerem à pampa, mas não serem noticiados), tudo bem.

Postura idêntica, aliás, teve a TV Globo no caso recente envolvendo assédio de um ator a uma figurinista, dentro do local de trabalho. Ah, se todas as mulheres (e, em menor quantidade, outras minorias) que trabalharam ou estagiaram por lá – não só no Projac, mas também nas unidades de jornalismo e administrativa, no Jardim Botânico – contassem as suas histórias… Ficaria ainda mais evidente o imenso, gigantesco, extraordinário tamanho da mentira da emissora ao dizer que não tolera tais comportamentos. Imagino se tolerasse…

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Por fim, uma belíssima análise de Shajar Goldwaser sobre os diferentes significados de ser judeu, e também sobre o que representa o convite, a palestra, os aplausos (e os protestos do lado de fora) ao deputado federal e presidenciável (sic) Jair Bolsonaro (PSC/RJ), esta semana, na Hebraica do Rio de Janeiro. Em tempo: o deputado é um oficial da reserva do Exército Brasileiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rapidinhas

5/4/2017

Luis Nassif, em grande forma, numa análise com toques rodriguianos na parte em que discute o uso da impopularidade pelo Mordomo de Filme de Terror. Contudo, o trecho a seguir me pareceu complicado:

Aliás, é inacreditável que a mediocridade de Temer não tenha sido percebida nem por Lula, Dilma e o PT – que o fizeram vice-presidente -, nem pelas forças que perpetraram o golpe parlamentar.

Tendo a pensar na direção inversa: é justamente tal perfil que pode ter pesado na escolha do vice (e, também, na realização do golpe…).

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Segue a todo vapor a “guerra” contra o crime no Rio de Janeiro… Só que não.

Rapidinhas

2/4/2017

No texto que publiquei ontem, faltou dizer que o tiroteio matou uma menina que fazia aula de educação física numa escola da rede municipal. Independentemente de onde e de quem tenham partido os tiros (e é óbvio que é preciso investigar, embora seja pouco provável que se chegue a uma condenação do(s) responsável(is) cumprindo os ritos legais, dadas as características sistêmicas, desde quando se chama a perícia até o martelo do juiz), o que se tem é a mesma lógica de operações policiais que supostamente vão combater o crime, mas que resultam num novo conjunto de crimes cometidos. Evidentemente, tais ações não acontecem nas avenidas Atlântica, Delfim Moreira, Visconde de Albuquerque, Sernambetiva ou Vieira Souto.

[O parágrafo acima foi acrescentado em 2/4, às 7h.]

Ainda sobre o tema, a Justiça Global faz um admirável trabalho de pesquisa, documentação, descrição, análise e denúncia dos crimes cometidos pelo Estado. Não tem sido diferente em 2017, como mostram essa nota pública e denúncia à Organização das Nações Unidas.

No estado do Rio de Janeiro, é preciso afirmar e argumentar que “casa é casa, não é base militar“, pois diariamente as forças policiais do Estado desrespeitam direitos básicos da população nas favelas.

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A que ponto chegamos: “Governo Federal dá calote em vencedores de concurso de redação“. Considerando o pronunciamento do Mordomo de Filme de Terros no último dia 8 de março, vai ver a decisão tem a ver com o tema do certame: Construindo a Igualdade de Gênero.

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O professor Marcos Pedlowski, da UENF, publicou em seu blogue excelente artigo analisando a pindaíba atual das universidades. Ao contrário do que muita gente acredita, pode não se tratar de algo conjuntural, mas também de uma estratégia para uma mudança estrutural: precarizar para privatizar. Um trecho:

O resultado é que estamos assistindo de camarote o desmanche do sistema universitário público brasileiro quase sem nenhuma resistência dentro das universidades.  Vejamos, por exemplo, o caso das três universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uenf, Uerj, Uezo) que foram colocadas num completo estado de penúria por um (des) governo cuja legitimidade está jogada na sarjeta.  Entretanto, mesmo com salários atrasados e sem perspectiva de pagamento por causa da roubalheira que correu solta a partir de 2007 sob o comando do hoje presidiário Sérgio Cabral, não se vê uma reação sólida por parte de quem deveria dar o exemplo de que não se trabalha de graça.  Ao contrário, o que cada vez mais aparece é um ambiente que mistura desespero com resignação.

E, pior, como observador privilegiado do que acontece na Uenf, vejo ainda colegas que mesmo beirando a insolvência financeira insistem na pregação de que não se pode fazer greve porque isto causaria mais evasão estudantil.  Explico essa conjuntura que mistura letargia e marasmo a uma espécie de Síndrome de Estocolmo, onde os que estão sendo também vítimas da política de destruição do (des) governo do Rio de Janeiro se colocam como potenciais cúmplices caso decidam lutar pelos seus direitos.

A questão é explicar como se produziu essa variante da Síndrome de Estocolmo. Em minha opinião ela decorre de um forte analfabetismo político que caracteriza principalmente os docentes que, até recentemente, se colocavam acima dos dramas mundanos que assolam a maioria dos brasileiros pelo singelo fato de possuírem um título de doutor.  Agora que se veem assolados por uma crise que não ajudaram a criar, a maioria não sabe como reagir simplesmente principalmente por causa de seu analfabetismo político.”

Os cortes pesados no orçamento de 2017 relativo a Ciência, Tecnologia e Inovação (e, em percentuais menores, mas também graves e preocupantes, na Educação), agravarão a situação. As estaduais do RJ são a ponta de lança, mas se o processo não for barrado, logo logo chega a vez das federais.

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Vladimir Safatle falou e disse sobre a aprovação do vale-tudo no mercado de trabalho pelo Congresso Nacional:

Na verdade, a função desta lei é acabar com a sociedade do emprego. Um fim do emprego feito não por meio do fortalecimento de laços associativos de trabalhadores detentores de sua própria produção, objetivo maior dos que procuram uma sociedade emancipada. Um fim do emprego por meio da precarização absoluta dos trabalhos em um ambiente no qual não há mais garantias estatais de defesa mínima das condições de vida. O Brasil será um país no qual ninguém conseguirá se aposentar integralmente, ninguém será contratado, ninguém irá tirar férias. O engraçado é lembrar que a isto alguns chamam “modernização”.

(…)

De fato, há sempre aqueles dispostos à velha identificação com o agressor. Sempre há uma claque a aplaudir as decisões mais absurdas, ainda mais quando falamos de uma parcela da classe média que agora flerta abertamente com o fascismo. Eles dirão que a flexibilização irrestrita aumentará a competitividade, que as pessoas precisarão ser realmente boas no que fazem, que os inovadores e competentes terão seu lugar ao sol. Em suma, que tudo ficará lindo se deixarmos livre a divina mão invisível do mercado.

O detalhe é que, no mundo dessas sumidades, não existe monopólio, não existe cartel, não existem empresas que constroem monopólios para depois te fazer consumir carne adulterada e cerveja de milho, não existe concentração de renda, rentismo, pessoas que nunca precisarão de fato trabalhar por saberem que receberão herança e patrimônio, aumento da desigualdade. Ou seja, o mundo destas pessoas é uma peça de ficção sem nenhuma relação com a realidade.

Mas nada seria possível se setores da imprensa não tivesse, de vez, abandonado toda ideia elementar de jornalismo.

Por exemplo, na semana passada o Brasil foi sacudido por enormes manifestações contra a reforma da previdência. Em qualquer país do mundo, não haveria veículo de mídia, por mais conservador que fosse, a não dar destaque a centenas de milhares de pessoas nas ruas contra o governo. A não ser no Brasil, onde não foram poucos os jornais e televisões que simplesmente agiram como se nada, absolutamente nada, houvesse acontecido. No que eles repetem uma prática de que se serviram nos idos de 1984, quando escondiam as mobilizações populares por Diretas Já!. O que é uma forma muito clara de demonstrar claramente de que lado sempre estiveram. Certamente, não estão do lado do jornalismo.”

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Ainda sobre a terceirização ampla, geral e (praticamente) irrestrita, vale a pena ouvir esta entrevista de Carlos Dias, auditor fiscal do trabalho, ao Programa Faixa Livre.

 

Rapidinhas

29/3/2017

Eis que Falcão se despediu da seleção brasileira de futsal. Termina uma era. Falcão é daqueles atletas que admiro imensamente, embora não tenha o hábito de assistir ao esporte que praticam – gostava muito mais de jogar do que de ver salão. A representação nacional no esporte é uma construção. Mas quando a gente vê um sujeito como ele jogar, que dá um orgulho danado de ser brasileiro, isso, dá. Os perrengues que ele enfrentou, tanto no futsal quanto no campo, são inacreditáveis. Papo de filme de Hollywood, ou de crônica de Nelson Rodrigues.

O sujeito trocar uma modalidade em que é o melhor do mundo para se aventurar em outra, largar o certo pela busca do sonho, é algo digno de todos os aplausos – e raro, coisa de gênios como Michael Jordan e Robert Scheidt. Certa vez, estive no Morumbi num São Paulo x Atlético de Sorocaba (acho que era isso), e lembro que a torcida tricolor passou boa parte do jogo gritando o nome dele, que estava no banco. O coro se intensificou no segundo tempo. Eu e os amigos que estavam junto ficamos com a sensação de que o técnico (Leão) não o colocou para jogar só para contrariar a torcida.

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Por falar nisso, em algum momento desse ano preciso escrever sobre Kelly Slater competindo em mais um Circuito Mundial de Surfe.

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Voltando à vaca fria, duas boas leituras:

Luis Nassif: “Xadrez da democracia e do neo-brasilianista Barroso

Fernando Molica: “A decisão de Moro, o embaraço à Justiça e a liberdade de expressão

Rapidinhas

22/3/2017

Luis Nassif falou e disse: “A Carne Fraca e o reino dos imbecis“, “Xadrez para entender a operação Carne Fraca” e “Xadrez da Carne Fraca no Estado de Exceção

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Há quase um ano, lembrei do bom e velho Brecht ao escrever um texto sobre o golpe. Agora, a Justiça Federal anda perseguindo gente que apresenta informações e tem críticas à forma como servidores públicos e máquina do Estado vem operando. A perseguição, evidentemente, só reforça os argumentos dos perseguidos e prova que eles têm razão. Novamente Luis Nassif coloca de forma clara o cerne da questão: “Moro se comportou como um imperador, acima das leis, porque, no episódio do vazamento dos grampos, foi tratado acima das leis.

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Lembra o caô contado pelo governo do Mordomo de Filme de Terror de que o Orçamento de 2017 seria menor, mas pelo menos seria cumprido na íntegra? Pois é, era mentira mesmo.

Tal política de cortes, é bom lembrar, aprofunda aquela já praticada pelo governo da Coração Valente.

 

Rapidinhas

10/3/2017

Reproduzo abaixo excelente texto de Marina Amaral, divulgado no boletim da Agência Pública:

Escuta aqui, presidente

“Você, aqui no banco, já chegou o mais longe possível para uma mulher”. Foi essa frase que a economista Leda Paulani ouviu de seu chefe quando foi preterida – por um homem – para um cargo de coordenação em um banco nos anos 1980.

Titular do departamento de economia da Faculdade de Economia e Administração da USP, Leda é hoje uma das mais respeitadas economistas do país. O que não significa, porém, que a mentalidade de seu antigo chefe está superada. No mesmo dia 8 de março em que publicávamos sua entrevista, o presidente Temer dizia: “Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos”. E destacava a grande participação da mulher na economia do país porque é “capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados” e “identificar flutuações econômicas no orçamento doméstico”.

Apesar das declarações inequívocas, Temer prega a igualdade das mulheres exatamente aonde ela não pode existir: na idade mínima para a aposentadoria. Se para um país tão desigual, falar de aposentadoria aos 65 anos soa piada de mau gosto, para as mulheres – que tem dupla, tripla, quádrupla jornada de trabalho – é uma afronta, como deixaram claro as manifestações do 8 de março. E nem adianta dizer que homens e mulheres se aposentarem na mesma idade “é uma tendência mundial”, como fez o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A realidade entre os países, como constatou o Truco, invalida a comparação do ministro.

Trocando palavras por dados: no Brasil os homens gastam apenas 9 horas semanais aos afazeres do lar, enquanto as mulheres dedicam entre 20 e 25 horas semanais ao mesmo tipo de trabalho segundo uma pesquisa da Unicamp de 2015, baseada em dados do IBGE. O número de mulheres desempregadas é maior do que o de homens e o valor dos salários menor: quando a comparação leva em conta os anos de estudo, elas chegam a ganhar 25,6% a menos do que seus colegas homens. Além disso, apenas 37% dos cargos de chefia nas empresas do país é de mulheres.

A Pública se orgulha de ser uma organização dirigida por mulheres. E de estar fazendo escola como mostra reportagem da Abraji sobre os empreendimentos de mulheres no jornalismo.

Marina Amaral, codiretora da Agência Pública

Rapidinhas

4/3/2017

Perfil muito interessante de Guilherme Boulos, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), por Andréa Dip, da Agência Pública.

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Logo após o Carnaval, o Faixa Livre fez uma entrevista excelentes sobre a conjuntura atual com Rodrigo Ávila (da Auditoria Cidadã da Dívida).

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No programa sócio-torcedor do Flamengo, difícil saber o que é pior: se o próprio programa, a empresa terceirizada que o gere, ou a que vendeu os ingressos para o jogo contra o San Lorenzo. No caso da que gere o programa, até agora tem 100% de aproveitamento comigo: todas as vezes que enviei email para tratar de algum assunto, fui ignorado. Sobre a espelunca responsável pela venda de ingressos para a partida de quarta-feira pela Libertadores, melhor nem comentar.

Rapidinhas

12/2/2017

Jânio de Freitas, antológico, na ditabranda Folha de S. Paulo (via Luis Nassif):

Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.

Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: “Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal”. Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.

Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.

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Trecho de uma reportagem de Gerusa Marques no Estado de S. Paulo (29/3/2007), reproduzida no livro Política de Comunicações: um balanço dos governos Lula (2003-2010), de Venicio Lima:

“O ministro das Comunicações, Hélio Costa, criticou ontem o processo de privatização do Sistema Telebrás para justificar a criação da Rede Nacional de TV Pública. Em debate sobre o assunto na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, ele disse que o Brasil não dispõe de estrutura pública nacional para prestar serviços de comunicações. ‘Quando vendemos a preço de banana as nossas companhias na privatização, vendemos nossa rede pública’, afirmou. ‘Chego a dizer que hoje, em uma emergência que espero que não aconteça, se o presidente quiser fazer rede nacional, temos que pedir licença no México’. Ele se referia à Embratel, controlada pela Telmex, do mexicano Carlos Slim. A Embratel, além de deter infraestrutura terrestre que cobre o território nacional, é dona da Star One, que controla a maioria dos satélites de comunicação do País, por onde trafegam sinais de TV. ‘Quem tem a rede não é o governo brasileiro, não é nem sequer uma empresa nacional’. O Sistema Telebrás foi privatizado em 1998, pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

Costa aproveitou o debate também para dizer que o setor de comunicações no país fatura atualmente R$ 100 bilhões e que, desse total, R$ 90 bilhões ficam com as teles e o restante é dividido entre as emissoras de rádio e de TV. ‘Então, acho que compraram muito barato’.”

Breves observações:

a) Quem está dizendo que as privatizações foram um erro e feitas a “preço de banana” é um prócer da direita brasileira, ex-senador pelo PMDB de Minas Gerais, comprometido até o talo com interesses empresariais (sobretudo dos grupos de mídia nacionais, que em alguma medida contrastam com os interesses das teles multinacionais).

b) É interessante ver um político de direita, então ocupando um cargo num governo de centro-direita (o governo Lula), ter sua opinião publicada num jornal de direita, e essa opinião apontar um conjunto de equívocos no processo de privatização conduzido pelo governo de direita anterior (FHC): o preço da venda; a perda de poder de atuação do Estado; o desmantelamento de uma infraestrutura estatal estratégica; a perda de soberania nacional; a dependência com o exterior.

c) O que o Congresso Nacional está ensaiando fazer é outra tremenda pilantragem/crime no setor de telecomunicações, uma espécie de “gran finale” da bandalheira iniciada no governo FHC (PSDB) e completada por seguidas cagadas favorecendo cartéis empresariais durante os governos Lula (PT) e Dilma (PT).


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