Archive for the ‘Política Rio de janeiro’ Category

Um vídeo

1/11/2017

Pingou na caixa postal a excelente videorreportagem Bala Perdida, da Agência Pública. Um dos muitos méritos é problematizar a própria expressão “bala perdida”, que sugere um caráter aleatório a algo que, no fim das contas, não é.

O recado de Ibis Pereira, ex-comandante geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, é claro e direto, ao dizer que o remédio é “mais direitos humanos para todos”. Ainda segundo ele, o problema é que a sociedade está recusando o remédio.

 

 

 

 

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Carnê de IPTU 2007: Jogos Pan-Americanos, Cidade Olímpica e o Rio do PMDB

20/8/2017

 

Contracapa do carnê de Imposto Predial e Territorial Urbano de 2007, emitido e cobrado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

A peça de ficção acima, fruto de imensa criatividade, é a contracapa do carnê de IPTU de 2007 da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Em dia de arrumação e de procurar papelada, achei essa maravilha, retrato de um momento. Fica aqui a imagem, quiçá uma fonte histórica para pesquisadores no futuro.

O prefeito à época era Cesar Maia (PFL). Foi sucedido no cargo por uma de suas crias políticas. Naquele fim de século, as Organizações Globo foram ativas formuladoras e apoiadoras de políticas públicas executadas pelos governos Eduardo Paes (PMDB, Prefeitura da capital) e Sérgio Cabral Filho (PMDB, governo estadual); e também beneficiárias de polpudos recursos estatais, sobretudo na área de cultura. Em fevereiro de 2014, escrevi o seguinte:

“Hoje fui ver uma exposição – interessante, diga-se de passagem, sobre surfe e skate – no Museu de Arte do Rio. A instituição foi concebida e executada pela Fundação Roberto Marinho e pela Prefeitura do Rio. Tem patrocínio das Organizações Globo. O dinheiro que sai por uma mão rapidamente é apanhado pela outra. Público e privado entram na batedeira e rodam de uma mão para outra, em loop, tal como limões alçados por um menino num sinal.”

(Alô, ministérios públicos… Alô, Lava-Jato! As corporações de mídia brasileiras são as únicas empresas nacionais, junto com os bancos, cujos donos bilionários não são picaretas, não corrompe(ra)m ninguém, não mantém relações espúrias e suspeitas com o Executivo, o Legislativo e o Judiciário? Conta outra! Vamos investigar!)

Agora que a cidade é governada por um representante da principal emissora de TV concorrente (Record), foi permitido aos trabalhadores dos veículos das Organizações Globo voltar a fazer um pouco de jornalismo, em lugar do noticiário predominante durante os mandatos anteriores, chapa-branca e baba-ovo de figuras que agora estão presas ou às portas de, como o ex-xerife do choque de ordem (em artigo científico publicado em 2010, analisando as capas de O Globo durante os cem primeiros dias do governo Eduardo Paes, eu e um colega afirmamos: “Do ponto de vista da construção da notícia, os textos apresentam reiteradamente o prefeito e o secretário de Ordem Pública como enunciadores dos conteúdos correspondentes às chamadas. Às vezes isso ocorre em dias seguidos, como no início de janeiro, quando o espaço à esquerda da capa constituiu uma espécie de cantinho do secretário.“) e o bilionário que ganhou o Maracanã, a Marina da Glória, o Porto do Açu e vários outros mimos.

Como agora estão na oposição ao bispo prefeito, tais corporações de mídia afirmam que o atual vice-prefeito não paga IPTU desde 2001. O ex-ministro da Coração Valente, quando senador, foi autor de iniciativas legislativas para aumentar a farra de isenções das igrejas. Por exemplo, isentar de pagamento de IPTU a igreja que for inquilina. Com a proposta, as prefeituras deixam de arrecadar recursos que poderiam financiar a contratação de funcionários públicos para garantir direitos da população, ou salários menos indecentes para alguns deles (como os professores), e sobra mais dindim após passar as sacolinhas (bênção, Chico Anysio!).

O goveno estadual do Rio faliu antes mesmo do início dos Jogos Olímpicos de 2016. A Prefeitura do Rio está às portas da falência – já anda atrasando salários da área da saúde, fazendo não se sabe o que com recursos carimbados que vêm direto do Ministério da Saúde. (A gestão de amplas fatias do orçamento da saúde foi doada a organizações sociais que fazem a farra com os recursos, sem qualquer controle da Prefeitura, polícia, MP, tribunais de contas etc. A isso se chama “modernização administrativa e gestão”, modelo colocado em prática pelo PSDB, pelo qual já passaram Cabralzinho e Duda. Em se tratando dos partidos da ordem, está tudo junto e misturado. Não custa lembrar que, na gestão de Paes finda em 2016, o vice-prefeito era do Partido dos Trabalhadores; na campanha de 2008, a CUT-RJ apoiou-o; a então presidente da entidade afirmou que o projeto “do Eduardo Paes representa a possibilidade de avanços para a classe trabalhadora“. Com lideranças com tal capacidade de avaliação política, não surpreende que a classe trabalhadora esteja levando ferro em cima de ferro.)

O ginásio do Maracanãzinho e parque aquático Júlio Delamare permanecem fechados. O estádio de atletismo foi destruído. Mesmo o saqueado e esculachado Maracanã recebe poucos eventos por mês. Ao lado, a UERJ está à beira de fechar. Nas proximidades, o tiro come solto quase todo dia no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, e no São João, no Engenho Novo. O ex-governador, o bilionário e um ex-secretário de obras da Prefeitura estão presos. Colegas de gestão e de partido, contudo, continuam governando o estado e presidindo a Assembleia Legislativa, como se nada tivessem a ver com os esquemas anteriores.

O Estádio Olímpico não se chama mais João Havelange. Para o que foi a gestão de recursos dos Jogos Pan-Americanos, e a imensidão de dinheiro que se gastou para construir um estádio superfaturado que pouco depois fechou porque o teto ameaçava cair, tratava-se de uma justa homenagem a este prócer do esporte brasileiro e grande amigo das Organizações Globo.

A tal “Cidade dos Esportes” estampada no carnê não existe mais. Foi ampliada, gastando-se um mundaréu de dinheiro público e violando-se trocentos direitos humanos e garantias fundamentais (durante parte do governo Eduardo Paes, o secretário de Habitação da Prefeitura que violava o direito à moradia de centenas de famílias era Jorge Bittar, do PT), para se tornar o Parque Olímpico. Este, por sua vez, é composto por dezenas de equipamentos fechados e/ou abandonados, que para nada servem, mas custaram e custam um dinheirão. Parque Olímpico, Cidade dos Esportes: nomes-fantasia de um projeto de rifar a cidade, bem como os recursos, imóveis, terrenos, instituições e setores do serviço público para especuladores, bilionários e/ou bandidos, brasileiros e estrangeiros. O COI levou embora centenas de milhões de reais de lucro da Olimpíada, enquanto o Comitê Organizador segue firme sua política de calote olímpico. Ministério Público, polícia e Poder Judiciário fazem cara de paisagem. Em 6/8, o jornalista Elio Gaspari escreveu o seguinte na ditabranda Folha de S. Paulo:

“O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes precisa de um banho de folhas de arruda. Na quinta-feira deu aos cariocas um longo artigo falando bem de Eduardo Paes e comemorando sua Olimpíada.

O sujeito lia o texto do doutor, aprendia que sua gestão foi exemplar e estão aí obras como a linha da Transcarioca. O infeliz ligava a televisão e via a Polícia Federal levando para a cadeia Alexandre Pinto, secretário de Obras de Paes, acusado de morder as empreiteiras que fizeram a obra da Transcarioca.”

“XV Jogos Pan-Americanos: Ganha a Cidade, ganha o turismo, ganha você”: mais uma ficção numa era repleta de inveções e mentiras amplificadas pelas Organizações Globo como se fossem uma maravilha. Na cidade olímpica:

  • Onibus é chamado de “metrô de superfície”;
  • Tapumes para esconder as favelas em torno da Linha Vermelha dos que chegam ao aeroporto internacional são denominadas “barreira acústica“;
  • O próprio terminal 1 do Galeão, que ficou anos sendo reformado pelo Governo Federal (alô, Coração Valente!), está fechado. O dinheiro público foi gasto antes de se privatizar o aeroporto, evidentemente. Ajeitou um terminal que hoje não recebe voos ou passageiros;
  • Muros para cercar os pobres é chamado de “ecolimite“;
  • Ações frequentemente ilegais de criminalização da pobreza e de repressão a camelôs e ambulantes são celebradas como “choque de ordem”;
  • A Chacina do Pan foi saudada pela revista Época, também da família Marinho, pela “inovação” no combate ao crime.

A roda continua girando, nos poderes municipal, estadual e federal. Fecho com o mesmo Elio Gaspari, no The Globe de hoje:

“Quem acreditou que o prefeito Marcelo Crivella mudaria os métodos nas negociações com o aparelho da Fetranspor não comprou gato por lebre. Comprou gato por gato.

Um dos conselheiros de Crivella era Rodrigo Bethlem, que havia sido o “xerife” da ordem pública de Eduardo Paes e quindim da máfia das empresas de ônibus.

Paes foi aquele prefeito que pretendeu multar os cariocas que jogassem guimbas de cigarro na rua. Hoje ele vive em Nova York.

Rota 66, 25 anos depois

1/4/2017
Escrevi o texto abaixo ontem (sexta-feira, 31 de março de 2017) para enviar a alguns amigos. Achei melhor publicá-lo por aqui.
*  *  *

Caros(as),

Infelizmente, mais do mesmo.

http://extra.globo.com/casos-de-policia/pms-flagrados-executando-dois-homens-sao-envolvidos-em-37-autos-de-resistencia-21141468.html

Todos mortos em favelas da Zona Norte, todos levados para o hospital (inviabilizando a perícia e fazendo pagar de humanitário quem “socorreu”), todos os mortos estavam com armas que foram apresentadas pelos executores na delegacia, usadas para “trocar tiros com a polícia”. Só não se informa se todos eram jovens e tinham a cor da pele parda ou negra – mas isso é fácil imaginar, não é mesmo? É realmente impressionante como funcionários públicos mal-remunerados, com ou sem salário atrasado, seguem à risca o roteiro-padrão conhecido por todos. Seguiriam até se aposentar, provavelmente. Afinal, matar não é problema, o problema é alguém filmar e cair na internet. Esses talvez sejam afastados e julgados (julgamento justo ou não é difícil saber se haverá, considerando as variáveis “justiça militar” e “condenação/linchamento midiático”, cada uma jogando numa direção), tratados como bode expiatório. Talvez, não.

Todos os outros que fazem isso desde não sei que década, e os que entraram há pouco na corporação e estão começando a aprender o roteiro, continuarão fazendo tranquilamente. Quem se importa?

A matéria trata apenas dos casos que foram registrados em DP e, portanto, entraram nas estatísticas estatais – que servem para pouco mais do que fins estatísticos, ou seja, são praticamente um fim em si mesmas. Raramente servem para investigação e solução pontual (caso a caso), quanto mais para subsidiar a tomada de decisões macro de políticas públicas de segurança. Estas são realizadas com base noutros critérios. Ontem à tarde, por exemplo, um PM reformado foi assassinado numa troca de tiros nas Lojas Americanas da 28 de Setembro, a uma quadra e meia aqui de casa. É impressionante como policiais atraem a proximidade de balas, tiros e criminosos quando estão de folga ou depois que se aposentam. Aparentemente, isto não tem nada a ver com o tipo de trabalho, com as políticas do governo do estado ou com as condições salariais e laborais destes funcionários públicos. Fica parecendo algo cósmico, magnético ou inexplicável: tem sempre um PM de folga nos locais de roubos, e ele sempre decide trocar tiros com os ladrões em vez de continuar seu caminho. O dever sempre chama.

Hoje a 28 de Setembro está cheia de policiais, do início ao fim. A UERJ e a área do Maracanã continuam abandonadas; o desemprego grassa graças à política econômica suicida que temos desde o fim de 2014; é fim de mês e mesmo quem tem trabalho tá duro; a demanda por drogas nas bocas da vizinhança deve estar igual ou maior do que nunca. Provavelmente os PMs de farda aqui na esquina de casa estão com os salários atrasados e vão trabalhar (mesmo que a lei proíba) também nas 72 horas de folga: na segurança, no bico, no táxi, ou _________ (complete como quiser). Quem se importa?

Abraços,

Rafael

P.S.: Quem assina a matéria do Extra é um homônimo, mas não o conheço.

P.S.2: Para quem não conhece, o livro do jornalista Caco Barcellos é uma obra-prima. Infelizmente, o modus operandi que narra continua em vigor nas quebradas do Rio, de Sampa e doutros lugares do nosso país.

Rapidinhas

21/2/2017

Antológico artigo de Luis Nassif analisando o quadro atual no Brasil.

*  *  *

Reproduzo abaixo nota do PSOL/RJ com a lista de votação da privatização da CEDAE, aprovada ondem na Assembleia Legislativa.

deputados-cedae“A ALERJ aprovou por 41 a 28 votos a possibilidade de privatização da CEDAE. A companhia de água e saneamento do estado é a estatal mais lucrativa do Rio, com retorno de lucro líquido na casa de 1,5 bilhões de reais. Agora, a CEDAE poderá se tornar garantia para o empréstimo de R$ 3,5 bilhões da União para o Estado do Rio, abrindo a possibilidade de federalização e posterior venda para a iniciativa privada. A estratégia faz parte do (des)governo Temer e tem no Rio sua principal vitrine para implementar a mesma ação nos demais estados da federação. Confira os nomes e os partidos dos deputados que foram contra o povo fluminense e a favor da privatização da CEDAE:

Ana Paula Rechuan (PMDB)
André Ceciliano (PT)
André Correa (PSD)
Aramis (PSC)
Átila Nunes (PSL)
Benedito Alves (PMDB)
Carlos Macedo (PRB)
Chiquinho da Mangueira (PMN)
Comte Bitterncourt (PPS)
Coronel Jairo (PMDB)
Daniele Guerreiro (PMDB)
Dica (PMDB)
Dionísio Lins (PP)
Dr. Gothardo (PSL)
Edson Albertassi (PMDB)
Fábio Silva (PMDB)
Fatinha (SDD)
Figueiredo (PROS)
Filipe Soares (PR)
Geraldo Pudim (PR)
Gil Viana (PSB)
Gustavo Tutuca (PSB)
Iranildo Campos (PSD)
Jânio Mendes (PDT)
João Peixoto (PSDC)
Jorge Picciani (PMDB)
Marcelo Simão (PMDB)
Márcia Jeovani (PR)
Marcos Abraão (PT do B)
Marcos Miller (PHS)
Marcus Vinícus (PTB)
Milton Rangel (PSD)
Nivaldo Mulim (Sem partido)
Paulo Melo (PMDB)
Pedro Augusto (PMDB)
Rafael Picciani (PMDB)
Renato Cozzolino (PR)
Rosenverg Reis (PMDB)
Tia Ju (PRB)
Zé Luiz Anchite (PP)
Zito (PP)

Deputados que foram CONTRA a privatização da CEDAE:

Bebeto (PDT)
Bruno Dauaire (PR)
Carlos Lins (sem partido)
Carlos Osório (PSDB)
Cidinha Campos (PDT)
Doutor Julianelli (Rede)
Eliomar Coelho (PSOL)
Enfermeira Rejane (PC do B)
Flávio Bolsonaro (PSC)
Flávio Serefini (PSOL)
Geraldo Moreira da Silva (PTN)
Gilberto Palmares (PT)
Jorge Felippe Neto (DEM)
Lucinha (PSDB)
Luiz Martins (PDT)
Luiz Paulo (PSDB)
Marcelo Freixo (PSOL)
Márcio Pacheco (PSC)
Martha Rocha (PDT)
Paulo Ramos (PSOL)
Samuel Malafaia (DEM)
Silas Bento (PSDB)
Tio Carlos (SDD)
Wagner Montes (PRB)
Waldeck Carneiro (PT)
Wanderson Nogueira (PSOL)
Zaqueu Teixeira (PDT)
Zeidan (PT)”

Rapidinhas eleitorais

3/10/2016

Marcelo Freixo (PSOL) está no segundo turno da eleição para prefeito do Rio de Janeiro. Duplo motivo para comemorar: a ida dele para o segundo turno; e a derrota de candidatos de direita: boxe, Bolsonarinho, o ex-secretário do Cesar Maia e o ex-secretário de transportes – alguns dos quais tiveram boas votações, o que é lamentável, embora compreensível.

De quebra, o PSOL elegeu seis vereadores, com dois entre os cinco mais votados. Marielle Franco teve uma votação esplêndida. Contrapontos necessários aos trogloditas da direita (um deles teve a maior votação geral), aos candidatos ligados a milícias e à salada de partidos ideologicamente amorfos – todos elementos corriqueiros dos resultados das eleições legislativas na capital fluminense.

*  *  *

Contudo, o domingo teve muitas notícias ruins. O panorama que saiu das urnas é desolador: avançam a direita e/ou os partidos que sequer têm espinha dorsal, ideologicamente falando. No geral, a esquerda tomou uma surra nas urnas – a capital paulista é o principal exemplo.

*  *  *

A isso se soma o triste resultado do plebiscito na Colômbia. A direita truculenta venceu, para tristeza de milhões na Colômbia e na América Latina. David Quitián lançou bons recados e reflexões.

*  *  *

Ainda sobre certos setores e modos de fazer política da direita brasileira, especialmente os setores que tomaram o Palácio do Planalto, uma boa reflexão do mestre Wanderley Guilherme dos Santos: “O Brasil dos Brutamontes“.

Meu voto hoje

2/10/2016

hoje-e-dia-de-mudar-o-rio

Hoje é dia de votar em Marcelo Freixo (PSOL) para prefeito do Rio. Em 2010, fiz uma extensa exposição de motivos pelos quais dei o meu voto para reeleger o então deputado estadual que finalizava seu primeiro mandato. De lá para cá, surgiram novas boas razões.

 

Um texto

7/3/2016

No mundo selvagem do jornalismo político das corporações de mídia, poucos são os textos que consigo ler, há muitos anos. No mundo supostamente livre e progressista da blogosfera de esquerda, cada vez consigo ler menos autores,  sobretudo quando as análises convergem para a ideia de que tudo vai mudar quando “Dilma acordar”. Alguns repetem há cinco anos as mesmas coisas, como se o problema do Brasil fosse uma Bela Adormecida no Palácio do Planalto.

Pois bem, um dos raros colunistas de política que leio porque considero o que escreve relevante, ponderado, educado, bem escrito e informativo, é Fernando Molica, do Dia. Seu foco maior é a política fluminense, que também é o do jornal. Mas, quando o caldo entorna, é comum ele publicar um texto sensato. Posso discordar de boa parte do que escreve, mas sempre gosto de lê-lo. Não foi diferente com relação aos vergonhosos e deprimentes acontecimentos de sexta-feira, envolvendo a Polícia Federal e o ex-presidente Lula.

Por ser Molica um jornalista que conhece bem a política do estado do Rio, o penúltimo parágrafo diz muito.

Um livro

8/12/2014

Trecho de Abusado, de Caco Barcellos:

“Por causa da quadrilha de Calunga e Paulista, nenhuma categoria sofreu tanto quanto os empresários de ônibus. No ano de 1991 eles foram atacados dez vezes pelo grupo. A escolha da vítima era feita por Calunga, que guardava mágoas profundas do transporte coletivo da cidade. Ele cresceu vendo o pai sofrer com a condução que o levava de casa, no subúrbio, para o trabalho, no centro. O pai ascensorista era obrigado a acordar às cinco horas da manhã porque o ônibus da linha demorava quase duas horas para deixá-lo perto da firma, na Cinelândia.

Muitas vezes Calunga viu o pai viajar pendurado pelo lado de fora, pingente do ônibus superlotado. Ele nunca esqueceu do acidente que sofreu quando estava com a mãe, amontoados no corredor. O ônibus bateu na traseira de um caminhão e o jogou contra a janela de vidro. Calunga sofreu vários cortes no rosto e no peito, e a mãe, imprensada pela massa de passageiros contra um banco de ferro, fraturou uma das pernas. Naquele dia, Calunga jurou matar o dono da empresa de ônibus, que se negou a indenizá-los.

Ônibus velhos, malconservados, sujos, em número sempre insuficiente para atender ao volume de passageiros motivaram algumas revoltas violentas no bairros vizinhos. Calunga e o pai estavam entre as pessoas que apedrejaram e puseram fogo nos carros. Dez anos depois, quando virou sequestrador, Calunga resolveu se vingar. Tentou levar para o cativeiro os principais empresários de ônibus da região onde morava.”

Meus votos em 5 de outubro

9/9/2014

Como fiz em eleições anteriores, declaro meus votos no primeiro turno das eleições:

Deputado estadual: Marcelo Freixo (PSOL) – 50123 (Em agosto de 2010, expus os motivos pelos quais iria votar – e votei – nele.)

Deputado federal: Jean Wyllys (PSOL) – 5005

Senador: Romário (PSB) – 400

Governador: Tarcísio Motta (PSOL) – 50

Presidente: Luciana Genro (PSOL) – 50

*  *  *

Se votasse em São Paulo, teria o maior orgulho em apertar 5050 para reeleger Ivan Valente (PSOL) o melhor deputado federal do Congresso Nacional.

 

Um livro

31/5/2014

Um trecho desse livraço que é Elite da Tropa 2:

“Só existem tráfico e milícia, fontes dos piores crimes, porque a polícia é conivente, cúmplice, acionista, sócia ou protagonista do empreendimento. Os mafiosos das milícias são policiais ou ex-policiais de ambas as polícias, civil e militar, ou bombeiros. O resto é exceção. Os traficantes, por sua vez, vendem drogas ilícitas principalmente em pontos fixos, chamados bocas de fumo. Se esses pontos são fixos e se os usuários conhecem o mapa da mina, a polícia também conhece. Óbvio. Portanto, se o estabelecimento varejista continua funcionando é porque pagou sua taxa aos cúmplices policiais. Certo? Tudo isso só não é claro para os governantes. As autoridades.”

E para o noticiário veiculado pelas corporações de mídia, acrescento. O tal jornalismo que sustenta a ficção de que há uma “guerra” entre policiais e traficantes.

Três dos quatro autores do livro são policiais.


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