Rapidinhas

16/6/2017

Pingou na caixa postal mais uma notícia que evidencia a farsa do discurso de que há, no Rio de Janeiro, uma guerra entre polícia e traficantes: “Crime no Rio de Janeiro: quando é o traficante que entrega os policiais“. Contudo, a ampla maioria dos veículos de comunicação e dos que neles trabalham seguem alimentando o conto da carochinha da guerra. A matéria também faz referência uma política no mínimo discutível em vigor há muitos anos no Rio de Janeiro, ao menos desde que o PMDB assumiu o governo do estado: o combate preferencial a uma facção criminosa específica. Um trecho:

Números do Gaeco, braço do Ministério Público dedicado à investigação e combate ao crime organizado e controle externo da atividade policial, revelam que depois dos traficantes, PMs e ex-PMs são os mais denunciados no Rio. Dos 4.082 investigados pelo órgão, de 2010 a março de 2017, 1.886 são traficantes e 563 são policiais ou já exerceram a função. Na sequência, policiais civis, com 150 agentes denunciados.

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Uma bela história narrada pela jornalista Gabriela Viana. Não acho que seja tão raro acontecer assim, como sustenta o texto e algumas falas nele. O que acho raro, muito raro mesmo, é o jornalismo das corporações de mídia transformar casos assim em notícia.

Rapidinhas

15/6/2017

Da série “O maravilhoso mundo das relações de consumo no Brasil”, esta notícia: “Mulher acidentada ao fugir de rato no McDonald’s receberá indenização de R$ 40 mil“. A justiça brasileira, amiga do capital, fez sua parte para manter as relações selvagens de consumo que temos: condenou uma empresa multibilionária a uma indenização irrisória, daquelas que não provocam nem coceirinha no fluxo de caixa.

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Boa reportagem de Ciro Barros, da Agência Pública: “Como a Lei de Organizações Criminosas foi usada contra o MST no Paraná” (via GGN)

A Lei de Organizações criminosas, não custa lembrar, foi uma iniciativa do governo Dilma Rousseff (PT), que usou sua maioria no Congresso para aprová-la.

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Ainda no âmbito do Judiciário, uma interessante matéria de Patricia Faermann no GGN: “As polêmicas envolvendo o IDP de Gilmar Mendes“.

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Há salários de servidores ativos, aposentados e pensionistas atrasados, mas o governo Pezão (PMDB) continua firme e forte a farra das isenções fiscais.

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Gostei dessa análise de Luis Nassif sobre o governo do Mordomo de Filme de Terror e quais passos precisam ser dados quando ele chegar ao fim.

Uma música

12/6/2017

The Black Keys – Lonely Boy

Pra começar a semana pra cima!

 

Rapidinhas

10/6/2017

Caso sejam verdadeiras as afirmações da capa, o jornal O Povo de anteontem traz mais uma evidência de que é uma ficção o tratamento jornalístico do que acontece entre polícia e varejo da droga no Rio de Janeiro como “guerra”: “Policiais cobravam R$ 1 milhão para traficantes usarem caveirão. Inquérito que apurava morte de líder comunitária foi concluído. Glória Mica morreu por não aceitar pagar propina a PMs“.

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Como diria o poeta, “o novo já nasce velho”: o vereador do Partido Novo no Rio de Janeiro segue atuando firme e forte para defender os interesses das empresas e dos empresários. Desta vez, do transporte rodoviário. Enquanto isso, todo dia as empresas de ônibus fazem tudo sempre igual (e a Prefeitura, seja no governo do que prometeu que iria cuidar das pessoas, seja nos governos anteriores): hoje, foi um morto e dezenas de feridos. Na Cidade Olímpica, a montanha-russa atende pelo nome de ônibus. Só que, em vez de divertir, fere e mata. A Prefeitura, firme e forte, segue em seu papel de telemarketing passivo: fica fazendo rankings e anotando reclamações. Finge que não é com ela fiscalizar a bandalheira ampla, geral e irrestrita cometida todo santo dia pelas empresas de transporte rodoviário.

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Segundo Luis Nassif, as investigações a respeito de corrupção e outras pilantragens envolvendo empresas, empresários e políticos são também uma nova e milionária frente de negócios no setor de advocacia, com ramificações no de auditorias. Sob a alegação de que se está combatendo a corrupção e recuperando dinheiro público roubado, estabelecem-se relações promíscuas. Estas relações, por sua vez, custam um dinheirão aos próprios cofres públicos. Tudo muito sofisticado e de acordo com a lei (e com o que manda o Tio Sam), é claro.

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Atuando como praga de gafanhoto, o PMDB vai destruindo as já carcomidas instituições estatais brasileiras. Depois de trocentas administrações peemedebistas, os Correios estão moribundos (e continuam definhando). Estão arrebentando com o IBGE, o IPEA e o BNDES. Com o Banco do Brasil, também estão conseguindo: demissões, fechamento de agências, agora até o atendimento telefônico de várias agências foi banido. Vai acabar ficando um banco que guarda o dinheiro das pessoas, mas com o qual os clientes não conseguem entrar em contato.

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Mais um episódio do capitalismo à rubro-negra: o site do sócio-torcedor informa que “Setores Leste & Sul: Sócio-Torcedor que comprou ingresso para um desses setores, deverão levar o seu voucher além do cartão ingresso para orientação interna e localização do seu acesso às arquibancadas“. Afinal, agora o futebol brasileiro é muito organizado, assim como a diretoria do Flamengo, e alguns setores têm lugar marcado. Só que não…

O  torcedor tenta imprimir, mas o site/sistema não permite a impressão. Então o corno que paga mensalmente o tal Nação Rubro-Negra, possivelmente o pior programa de sócio-torcedor do mundo, entra em contato com o “Fale Conosco”.

Resposta de telemarketing: “Seu voucher não esta disponível para impressão, devido seus ingressos terem sido carregado no seu cartão ingresso de Sócio torcedor. Estamos a disposição.”

O torcedor tenta de novo: “Vocês só podem estar de brincadeira. Vejam o que está escrito no site do NRN: “- Setores Leste & Sul: Sócio-Torcedor que comprou ingresso para um desses setores, deverão levar o seu voucher além do cartão ingresso para orientação interna e localização do seu acesso as arquibancadas.” (…) Estão batendo mais cabeça que a defesa do Flamengo!”

A segunda resposta é o cheque-mate, introduzindo a situação de loop que caracteriza a surdes e obtusidade do telemarketing: “Seu voucher não esta disponível para impressão, devido seus ingressos terem sido carregado no seu cartão ingresso de Sócio torcedor. Estamos a disposição.”

Ou seja, é para imprimir a partir do site, mas o voucher não está disponível para impressão. A isto, muitos classificam como “boa administração”.

Rapidinhas acadêmicas

5/6/2017

Mais um ano, mais um conjunto de facadas nos orçamentos da Ciência, Tecnologia e Inovação (o pior em décadas) e da Educação (neste caso, o governo do Mordomo de Filme de Terror deu-se ao trabalho de mentir, dizendo que não haveria cortes). Pelo andar da carruagem, segundo dirigentes de entidades estatais de ensino superior, em 2018 pode haver fechamento de cursos e de campi abertos no interior. O MEC sequer compareceu à audiência numa comissão do Senado para discutir o assunto – vai ver, o ministro estava se reunindo com lideranças mais relevantes do setor.

Outro sinal do abandono das áreas está nos próprios calendários. No caso de algumas bolsas do CNPq, o calendário que está no ar é o do ano passado. O calendário regular do órgão é ainda mais bizarro: estamos em junho de 2017, mas está no ar o calendário de 2015! Na Faperj, a situação é parecida: boa parte dos itens do calendário regular de 2017 está sem data/prazo/previsão.

A situação das duas áreas, que era ruim no governo da Coração Valente (quando também havia cortes anuais imensos nos orçamentos), piora a cada ano. Para um governo que não tem projeto de país, e cujo único objetivo ao tomar conta do Estado é fazer pilhagem, de fato é melhor separar recursos para outros fins, como pagar anúncios (inclusive de mentiras relativas à educação) nas corporações de mídia. Os cortes no orçamento, a falta de calendários e o calote ou não-pagamento de projetos contemplados em anos anteriores são evidências de um projeto dos atuais governos do PMDB no Brasil e no Rio de Janeiro para destruir as áreas de Educação e Ciência e Tecnologia.

Tem futuro

4/6/2017

Dewson Fernando Freitas da Silva é o nome dele. Já é árbitro da FIFA – o que diz muito. O comentarista Gérson Canhotinha de Ouro sempre explica, aos berros: “Ele é da Fifa!” Apitando como fez no Flamengo x Botafogo de hoje, já, já poderá largar o apito e se transformar em comentarista de arbitragem dos canais de televisão. Tem todas as características para tal!

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Por falar em arbitragem, a de quinta-feira, no Chapecoense x Cruzeiro da Copa do Brasil, foi parecida, mas deu gosto de ver – neste caso, como não sou torcedor de qualquer dos clubes, queria mais era ver o circo pegar fogo. E pegou.

Uma música

4/6/2017

Radiohead – Jigsaw Falling Into Place

Rapidinhas

3/6/2017

Esta semana publiquei dois textos no blogue coletivo História(s) do Sport, que trata de história do esporte e do lazer:

a) Mais sobre a cultura do surfe no Sul da Califórnia;

b) Bra Boys (sobre o filme homônimo).

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Pelo andar da carruagem, caso tenhamos eleições em 2018, e estas sejam livres, João Dória poderá ser o nome do PSDB, com apoio dos cartéis midiáticos, à presidência da República (ou ao Palácio dos Bandeirantes). Da última vez que tivemos uma eleição presidencial, uma candidata ruim (a Coração Valente) ganhou de outro ainda pior (o Mineirinho). Pintado como menino de ouro pelas corporações de mídia – inclusive a maior delas, que resolveu linchá-lo publicamente, na maior cara de pau e como se nada soubesse antes, poucas semanas atrás -, ele quase ganhou o segundo turno.

Lá vamos nós, de novo, assistir à transformação de uma figura com este perfil num presidenciável sem defeitos, que vai dar jeito no país?

Um livro

2/6/2017

Carlos Heitor Cony, Quem matou Vargas, de 1974.

Três trechos, extraídos de partes distintas do livro. Atualizei a ortografia. (Em tempo: li a obra aos poucos e selecionei os trechos bem antes de as Organizações Globo decidirem pedir a cabeça do Mordomo de Filme de Terror; e também antes de mais um dia – 24/5/2017 – de repressão policial condenável, injustificável e estúpida, ao menos em Brasília e no Rio de Janeiro).

“O corpo [de João Pessoa] desembarcou na Praça Mauá e o povo, apesar da tropa que rondava ameaçadoramente, preparou a passeata de desagravo. Na altura da Rua Visconde de Inhaúma, os soldados impediram a Avenida Central. O cadáver podia passar por qualquer rua, menos pela rua principal da cidade. Como toda ordem policial, esta também era estúpida, sem nenhum sentido. O povo insistia e enfrentava as baionetas. […] Em tempos de crise, até para os cadáveres há mão e contramão.”

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[Em 1951, Vargas relê “uma entrevista, dada em julho de 1950, em plena campanha eleitoral”. Abaixo, um dos trechos.]

“- Os meus inimigos acusam-me de inúmeras coisas. Tenho 67 anos e pouco me resta de vida. Quero consagrar esse tempo ao serviço do povo e do Brasil. Quero, ao morrer, deixar um nome digno e respeitado. Não me interessa, nem me agrada levar para o túmulo uma renegada memória. Procurarei, por isso mesmo, desmanchar alguns erros de minha administração e empenhar-me-ei a fundo em fazer um governo eminentemente nacionalista. O Brasil ainda não conquistou a sua independência econômica e, nesse sentido, farei tudo para consegui-lo. Cuidarei de valorizar o café, de resolver o problema da eletricidade e, sobretudo, de atacar a exploração das forças internacionais. Elas poderão, ainda, arrancar-nos alguma coisa, mas com muita dificuldade. Por isso mesmo, serei combatido sem tréguas. Eles, os grupos internacionais, não me atacarão de frente, porque não se arriscam a ferir os sentimentos de honra e civismo de nosso povo. Usarão outra tática, mais eficaz. Unir-se-ão com os descontentes aqui de dentro, os eternos inimigos do povo humilde, os que não desejam a valorização do homem assalariado, nem as leis trabalhistas, menos ainda a legislação sobre os lucros extraordinários. Subvencionarão brasileiros inescrupulosos, seduzirão ingênuos e inocentes. E em nome de um falso idealismo e de uma falsa moralização, dizendo atacar sórdido ambiente corrupto, que eles mesmos, de longa data, vem criando, procurarão, atingindo a minha pessoa e o meu governo, evitar a liberação nacional. Terei de lutar. Se não me matarem…”

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“Em 1953, Getúlio sancionara a lei criando a Petrobrás e já esboçava a criação de outra empresa de vital importância para a nacionalização da economia brasileira: a Eletrobrás.

O método habitual da oposição brasileira era elementar: consistia basicamente em acusar o governo de ladrão ou de corrupto. O programa da UDN condensava monótonas variações em torno de sua única ideia política: moralidade administrativa. Desde o início do segundo governo de Vargas a UDN martelava na mesma tecla, criando ou exagerando os casos que o governo, como um todo, encarregava-se de fornecer, às vezes com um exagero despropositado.

Para a ortodoxia imperialista, a tática preferível seria a luta aberta, em nome de um ideal abstrato e nobre, como, por exemplo, uma luta armada em defesa do ‘mundo livre’ – eufemismo com que as frentes imperialistas se disfarçam para impelir fuzileiros norte-americanos para o Vietnã ou pracinhas brasileiros para São Domingos.”

 

 

 

 

 

 

Rapidinhas

28/5/2017

[Escrito no sábado, 26/5/2017]

A organização e a capacidade administrativa e financeira dos neoliberais que dirigem a Gávea – que denominei certa vez “capitalismo esportivo à rubro-negra” são unanimidade no jornalismo que cobre futebol no Rio de Janeiro.

Pois bem: hoje, sábado, 27 de maio de 2017, um torcedor que deseje comprar ingressos para o próximo jogo com mando do Flamengo – daqui a oito dias, em 4/6, contra o Botafogo, no estádio da Portuguesa da Ilha – não pode fazê-lo. Não adianta ser sócio-torcedor: no site para o sociotário-torcedor, a seção “ingressos” é um grande, imenso vazio. O time tem 36 jogos pela frente no Campeonato Brasileiro, mas o torcedor não pode comprar ingresso para nenhum deles – nem para as rodadas de novembro e dezembro, nem para a quarta rodada, no fim de semana que vem. Sequer há informações sobre quanto custarão, quando começarão a ser vendidos etc. E não adianta alguém alegar que é porque o time não sabe onde mandará os jogos: até hoje, sempre foi assim, com ou sem Maracanã (ver, por exemplo, esse texto meu reclamando da mesma coisa em outubro de 2013).

Eis um bom exemplo do capitalismo à brasileira.

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Ainda falando de futebol, mas agora já no domingo, 28/5/2017: campanha do Sport no Campeonato Brasileiro:

a) Rodadas 1 e 2, com o estrategista pão-de-queijo treinando o time: Ponte Preta 4×0 Sport; Sport 1×1 Cruzeiro.

b) Demitiram o Rinus Michels que veio das Gerais. Rodada 3: Sport 4×3 Grêmio.

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Pacote de leituras:

1) Luis Nassif: “Xadrez da última aposta da Globo“. Um trecho sobre o que, corretamente, o jornalista classifica como “o avanço do estado policial”:

Por qualquer ângulo que se olhe, por qualquer capivara que se analise, a operação da Procuradoria Geral da República contra o presidente da República foi abusiva. Amplia-se de forma inédita o estado policial no país, com a delação e o grampo entrando por todos os poros da vida nacional, incutindo a desconfiança em todas as relações sociais e convertendo o país no paraíso dos criminosos delatores

Gravar um presidente da República – ainda que seja um desqualificado como Michel Temer –, e expô-lo ao julgamento de uma emissora de televisão é de uma gravidade extrema, típica de países doentes.

Essa conta será cobrada da Globo e do Ministério Público Federal, ao menor sinal de recomposição do poder político.

Mesmo assim, não se pode varrer para baixo do tapete o que foi levantado. Trata-se do presidente mais sem noção e mais inescrupuloso da história.”

2) Como se não bastassem os ataques do governo do Mordomo de Filme de Terror e do estado policial, agora, segundo artigo de Cíntia Alves no GGN, a Rede Globo também aponta suas armas contra o BNDES. Não deixa de ser coerente com quem reproduz e compartilha os pontos de vista do capital financeiro, do capital internacional e da Casa Branca. Instituições como BNDES, IPEA e IBGE não interessam a um país soberano e desenvolvido. Não interessam ao modelo de país defendido pelo governo do Mordomo de Filme de Terror e pelas Organizações Globo.

3) Lucas Figueiredo: “Vendido como mocinho pela irmã, Aécio garantiu blindagem da imprensa por 30 anos” (via GGN).

4) Marta Fernández – “Depressão: O segredo de todas as famílias” (via Jornal da Ciência)


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